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Crise política gera incerteza para aéreas no Brasil, diz executivo da Iata


Para associação, regulação onera as empresas, com custo extra de US$ 660 milhões por ano com combustível



A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês) manifestou preocupação neste domingo com o impacto da crise política no Brasil sobre os negócios do setor, cuja demanda doméstica apresentou crescimento em março e abril, após 19 meses seguidos de retração. Além da incerteza sobre os rumos políticos no país, o vice-presidente regional da Iata, Peter Cerdá, citou entraves na regulação como obstáculos que devem ser vencidos no Brasil para que a indústria da aviação mantenha a trajetória de crescimento.

- O Brasil vive mais uma crise política e econômica, com demandas para que o presidente Michel Temer renuncie em meio a um escândalo de corrupção. Embora as empresas aéreas tenham registrado fortes margens operacionais no primeiro trimestre, a instabilidade política continua a criar incerteza em um país onde o governo já trata de forma desigual a regulação - afirmou Cerdá.

Ele participou na tarde deste domingo da primeira coletiva de imprensa da 73 reunião anual da Iata, em Cancún, no México. A abertura oficial do evento será apenas nesta segunda-feira, mas a Iata decidiu fazer uma sessão focada em América Latina que não estava no programa inicialmente devido às preocupações com o futuro do setor na região. A Iata reúne cerca de 275 companhias aéreas no mundo.

No Brasil, além da crise política, a associação tem acompanhando de perto as mudanças na legislação. Embora o governo tenha ampliado a liberalização das tarifas recentemente, permitindo a cobrança por bagagens, por exemplo, Cerdá citou dois pontos da regulação que oneram as companhias aéreas. São eles a política de preços de combustíveis e punições por atrasos e cancelamentos em casos de problemas climáticos.

No caso dos combustíveis, sobre os quais incidem diferentes alíquotas de ICMS de acordo com o estado em que se abastece o avião e cujos preços não acompanham diretamente a cotação internacional do petróleo, a Iata estima que as aéreas brasileiras tenham custo adicional de US$ 660 milhões por ano.

Cerdá demostrou preocupação ainda com o México, onde recentemente foram aprovadas no Senado medidas mais restritivas ao setor, fortalecendo direitos dos passageiros, e com a deficiente infraestrutura de Lima, no Peru. Segundo ele, o aeroporto internacional da cidade, o Aeroporto Internacional Jorge Chávez, tem capacidade para 10 milhões de passageiros por ano, mas está operando com 17 milhões de passageiros.

O executivo fez um apelo aos governos latino-americanos para que melhorem a infraestrutura aeroportuária e a regulação do setor, de modo que a contribuição da indústria da aviação para o PIB regional possa saltar dos atuais US$ 140 bilhões para US$ 322 bilhões em 2034:

- Para permitir que a aviação seja um motor do crescimento econômico e desenvolvimento social, nós fazemos um apelo aos governos da América Latina para que sejam inteligentes no que diz respeito à regulação da indústria e que garantam a adequada infraestrutura.

O executivo também mencionou a crise venezuelana, para onde várias companhias aéreas deixaram de voar nos últimos anos devido a problemas com o governo de Nicolás Maduro. As empresas acusam Maduro de se recusar a reembolsá-las por passagens vendidas em moeda nacional. Estimativa da Iata aponta que US$ 3,8 bilhões estão retidos no país.

Quando uma empresa estrangeira vende passagens em um país, esses recursos precisam ser convertidos em dólar pelo banco central local, para serem remetidos ao país de origem da aérea. Nos últimos anos, a Venezuela tem criado empecilhos para que as remessas ao exterior de vários setores da economia sejam feitas sob alegação de que não tem reservas cambiais.




fonte: O Globo
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