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Aviões abandonados formam cemitério no Pinto Martins


Segundo Infraero, sete aeronaves estão inativas em decorrência de dívidas aeroportuárias. Ações para retirada dos equipamentos tramitam e dependem de decisão judicial


Sete aeronaves estão abandonadas e com destino ainda incerto no pátio do Aeroporto Internacional Pinto Martins. São quatro boeings 737-200, dois boeings 727-200 e um Piper Seneca (PA34). Todas pousaram no equipamento de Fortaleza entre os anos de 2007 a 2010, confirma a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) em nota enviada ao O POVO.

“Tratam-se de aeronaves de terceiros com registro de tarifas aeroportuárias inadimplentes perante a Infraero, todas com demanda em juízo visando à sua remoção e à execução da dívida”, diz trecho da mensagem. A Infraero não detalha nome das companhias com débito e valores devidos.

Prejuízos 

Assim como em Fortaleza, a formação dos chamados cemitérios de aviões - comum em aeroportos brasileiros - decorre, em boa parte, de processos/imposições judiciais e de despesas aeroportuárias. Francisco Monteiro, sócio-proprietário da SAT Escola de Aviação Civil, avalia que aeronave parada somente traz prejuízo. Tanto pelo fato de estar fora de operação e ocupar área antes disponível no aeroporto, como pela perda de peças que poderiam ter sido reutilizadas em outros aviões em funcionamento. 

Após muito tempo e destituídas de equipamentos importantes, as aeronaves “não têm mais condição de voo. E financeiramente não compensa recuperar. Melhor comprar uma outra seminova em condições de uso”, complementa. 

Junto à morosidade da Justiça ao tratar casos do tipo, Monteiro elenca o embate de interesses. Sugere ainda como destino para os aviões abandonados o museu.

Por outro lado, Carlos Grotta, especialista em transporte aéreo e infraestrutura aeroportuária do Centro Paula Souza, em Guarulhos, defende que casos de abandono podem acontecer simplesmente porque as aeronaves estão velhas demais e tecnologicamente ultrapassadas. O que, inclusive, torna impossível a reciclagem das peças.

Para ele, o problema atinge com mais frequência pequenas empresas que fretam aeronaves para prestar serviços a terceiros e que também acumulam despesas aeroportuárias. Ressalta, porém, que hoje concessionários aeroportuários estão mais cautelosos com as empresas que fazem uso de suas instalações. “São várias as causas que podem levar a isso (aviões parados nos aeroportos). Se uma aeronave pousa num aeroporto e tem uma ordem judicial dizendo que ela não pode sair dali por algum problema ela vai ficando lá”.

Leilão

Para evitar prejuízos, a melhor saída é o leilão, recomenda Mauro Roberto Schlüter, professor de Logística da Universidade Mackenzie de Campinas. “Quando apreendidos, os bens ficam sem manutenção e depreciam, virando sucata. E a Justiça faz leilão com a finalidade de não comprometer os valores dos bens”.

Saiba mais

Em 2014, quase 10 anos após encerrar suas operações, a Vasp teve um de seus boeings velhos derretido e transformado em panelas industriais.

Outros aviões antigos da companhia aérea que foram leiloados continuaram a ser utilizados em diversas áreas do Brasil. Em 2014, uma era usada para treinar bombeiros em salvamentos no caso de desastres aéreos.

Aeronaves da Vasp também deixaram de cortar os céus para virar restaurantes e até mesmo casa noturna.

Em 2016, um empresário lançou em Minas Gerais uma boate dentro de um avião. O projeto inicial era de que o espaço fosse transformado em parque de diversões.

Em 2013, a Justiça leiloou 17 aviões da Vasp, que juntos somavam 448 toneladas de sucata. Cada lote foi fixado entre R$ 15 mil e R$ 60 mil. O valor da sucata variava conforme o peso e chegou a custar R$ 1 mil por tonelada.

Há cerca de três anos, empresário mineiro desembolsou R$ 1,5 milhão por um avião encostado no cemitério de aeronaves do Aeroporto Internacional de Viracopos. O objetivo era transformá-lo em um restaurante.



fonte: O Povo
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