Meu título conteúdo da página

.

.

Arquivo

Navigation

Atenção tripulação, pouso autorizado


Nova aeronave-laboratório equipa unidade responsável por calibrar e aferir equipamentos de aeroportos


O Grupo Especial de Inspeção em Voo (GEIV) recebeu, nesta terça-feira (6), a segunda aeronave-laboratório Legacy 500. Leia abaixo a matéria da revista Aerovisão para saber mais sobre as características, a utilização e os ganhos do Grupo com a chegada das novas aeronaves:

Toda vez que uma aeronave decola ou pousa, há uma série de procedimentos que precisam ser seguidos, a depender do tipo de avião, das condições da pista, do entorno do aeroporto, da meteorologia, entre outros aspectos. Para dar suporte ao piloto nesse tipo de manobra, diversos equipamentos estão instalados nos aeroportos (e fora deles, pois há procedimentos baseados em dados satelitais), que enviam informações à aeronave, indicando o caminho que deve ser seguido. São os chamados ´auxílios à navegação´, que balizam os pilotos em condições normais, mas, especialmente, quando a meteorologia está desfavorável. É aí que entra o Grupo Especial de Inspeção em Voo (GEIV): é preciso testar, na prática, se os dados fornecidos são confiáveis. E só em 2015, foram 1.200 testes desse tipo.

Até setembro deste ano, a frota de aeronaves que faziam esse serviço de certificação era composta de quatro Bandeirantes e quatro Hawker 800XP. Mas, o processo de renovação dos aviões-laboratório já está em curso: o primeiro dos seis Legacy 500, adquiridos da Embraer por meio do projeto I-X, chegou ao GEIV em 23 de setembro. A segunda unidade deverá ser entregue ainda em 2016.

Segundo explica o oficial de operações do Grupo, Major José Evânio Guedes Junior, essa foi a primeira aeronave, no mundo, que saiu de fábrica com o laboratório já integrado. Ela traz diversos ganhos operacionais em relação aos aviões que, gradualmente, serão substituídos. Em primeiro lugar, a autonomia de voo: enquanto o Bandeirante alcança 1.400km sem necessitar de reabastecimento, durante as inspeções, o novo Legacy 500 chega a 5.600km. Isso permite, por exemplo, decolar de Brasília (DF) e realizar inspeções em Manaus (AM) sem precisar de um pouso intermediário. Também favorece que mais auxílios à navegação sejam verificados em uma mesma decolagem, aumentando a eficiência. A quantidade de horas voadas até a necessidade de manutenção das aeronaves também marca a grande distância tecnológica entre elas: enquanto o Bandeirante precisa ser inspecionado a cada 150 horas, o Legacy em seu ciclo de inspeção a cada 750 horas.

O sistema fly-by-wire de pilotagem, em que se elimina o manche, substituindo-o por uma espécie de joy stick, diminui a carga de trabalho da tripulação, permitindo que os militares consigam estar mais atentos à inspeção em si. “Outro ganho operacional será o aumento da consciência situacional dos tripulantes, pois, as quatro telas de 15 polegadas que compõem o painel do Legacy permitem a utilização de cartas de navegação georreferenciadas e outras informações importantes sobre as rotas a serem percorridas”, explica o Major Evânio. Segundo ele, a nova aeronave-laboratório apresenta o sistema de aviônica Rockwell Collins ProLine, considerado um dos mais avançados do mundo.

Navegação baseada em performance

Outro ponto importante é que a nova aeronave vai permitir autonomia à Força Aérea Brasileira para todos os tipos de certificações. Isso porque nenhuma das aeronaves do GEIV até então tinha condições técnicas de certificar um procedimento específico, conhecido no meio pela designação RNP AR APCH. “Trata-se de uma manobra de aproximação em curva, portanto em trajetória declinada, em que a aeronave desce automaticamente, guiada por dados provenientes de satélites – e não de antenas de solo – até determinado ponto, a chamada ‘altitude de decisão’, a partir de onde é necessário que o piloto assuma o comando manual da aeronave”, detalha o Major Evânio.

Até o recebimento do Legacy 500, apenas dois aeroportos foram certificados a realizar esse tipo de procedimento: Santos Dumont, no Rio, e Lauro Carneiro de Loyola, em Joinville (SC). Já que não havia, no GEIV, aeronave-laboratório com capacidade de realizar esse tipo de verificação, foi preciso colocar pilotos inspetores a bordo de aviões comerciais, de companhias aéreas regulares.

É importante frisar que todas as inspeções para permitir procedimentos de Navegação Baseada em Performance, como é o caso do RPN AR APCH e outros onze tipos, estavam a cargo apenas do Hawker. A navegação de performance abrange uma série de processos e métodos, por parte do piloto, que precisa estar qualificado para tal, e por parte da aeronave, que precisa possuir determinadas tecnologias embarcadas. Esses procedimentos “possibilitam a melhoria da circulação aérea, ainda que os aeroportos estejam operando em condições meteorológicas desfavoráveis”, explica o Major Evânio.

 Desenvolvimento industrial

A nova aeronave do GEIV é resultado da adaptação de um jato executivo em um avião-laboratório, o que ocasionou desafios industriais, já que a saída da plataforma pronta de fábrica é um feito inédito não só no Brasil, mas no mundo. O Legacy 500 também é novidade na aviação: a unidade que já está no GEIV é a 15ª produzida. “Trata-se do avião mais moderno da linha executiva da Embraer e a Força Aérea Brasileira precisa acompanhar a evolução do mercado. A instituição prioriza o uso de equipamento nacional e a nossa parceria com a Embraer ajuda no fomento à indústria brasileira”, explica o gerente-adjunto do projeto I-X, Tenente-Coronel Luis Ferro.

O Tenente-Coronel Ferro afirma que a integração do laboratório foi uma etapa muito complexa e sensível do projeto, já que a aeronave é totalmente fly-by-wire e havia a preocupação sobre possíveis interferências entre os equipamentos de inspeção e os sistemas do avião. Porém, segundo ele, os voos reais superaram as expectativas. “Todas as possibilidades de intercorrência foram testadas e extrapoladas. Outra preocupação foi com a própria missão do GEIV, já que durante as inspeções é preciso voar mais perto dos radares, antenas de comunicação e auxílios de pouso, mas os resultados dos testes ratificaram que o Legacy 500 é a aeronave ideal para esse fim”, afirma.

Preparação

Para receber a nova aeronave, o GEIV formou, em órgãos no exterior, 54 profissionais: doze pilotos, vinte mecânicos de voo, doze operadores do sistema e dez mantenedores de bancada do sistema.

Para os pilotos, a formação consistiu em aulas teóricas e treinamentos em simuladores na Flight Safety International. Agora, com a chegada da aeronave, o próximo passo são as instruções práticas no próprio avião, orientadas por profissionais da Embraer.

“O novo Legacy 500 vai permitir adequar o GEIV aos novos equipamentos e sistemas de navegação, comunicação e vigilância que surgiram ou foram aprimorados e, ainda, a novos tipos de procedimentos de navegação aérea”, afirma o Major Evânio.






fonte: FAB
SHARE
Banner

Comentar: