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Astronautas ficam com vista embaçada e enxergam menos após longos voos espaciais

O norte-americano Scott Kelly, que passou quase um ano no espaço, regressou à Terra em março de 2016

Astronautas podem ter a visão embaçada, ou reduzida, após longos voos espaciais, devido a mudanças no líquido cefalorraquidiano que ocorrem na microgravidade, de acordo com estudo divulgado por pesquisadores nesta segunda-feira (28).

Quase dois terços dos astronautas relataram problemas nos olhos depois de passar meses na ISS (Estação Espacial Internacional, em sigla em inglês), segundo pesquisa apresentada na reunião anual da RSNA (Sociedade Radiológica da América do Norte).

De acordo com o pesquisador principal, Noam Alperin, professor de Radiologia e de Engenharia Biomédica na Escola de Medicina Miller da Universidade de Miami, "alguns dos astronautas tiveram mudanças estruturais severas que não foram totalmente reversíveis após o retorno à Terra".

Os problemas incluem achatamento na parte de trás de seus globos oculares e inflamação do nervo óptico, o que pode levar à hipermetropia.

Inicialmente, os pesquisadores pensaram que os problemas eram causados por mudanças na forma como o sangue é distribuído no corpo na microgravidade, com mais líquido acumulado em torno da área da cabeça do que seria normal na Terra, onde a gravidade o puxa para baixo.

Alperin e colegas estudaram exames cerebrais de antes e depois de sete astronautas que passaram vários meses na estação espacial em órbita, comparando-os com nove astronautas que fizeram viagens curtas a bordo do ônibus espacial americano. 

Eles descobriram que os astronautas que passaram períodos mais longos no espaço tinham significativamente mais líquido cefalorraquidiano no cérebro.

Esse fluido normalmente ajuda a amortecer o cérebro e a medula espinhal durante a circulação de nutrientes e a remoção de materiais residuais.

Na Terra, esse sistema de fluido espinhal ajuda a acomodar as mudanças quando uma pessoa está sentada, de pé ou deitada. Mas, no espaço, "o sistema é confundido pela falta das mudanças de pressão relacionadas à postura", disse Alperin.

Viajantes espaciais de longo prazo também "aumentaram significativamente o achatamento pós-voo de seus globos oculares e aumentaram a protrusão do nervo óptico", disse o estudo.

Alperin disse que a pesquisa oferece a primeira evidência quantitativa de que o líquido cefalorraquidiano desempenha um papel direto na síndrome de deficiência visual.

A Nasa, a agência espacial americana, está estudando maneiras de neutralizar esses problemas oculares, no momento em que trabalha para enviar pessoas para missões a Marte de meses e até anos de duração na década de 2030.




fonte: uol
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