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Profissionalismo que salva vidas


Conheça a história dos controladores de Pirassununga que evitaram um acidente aéreo e receberam homenagem dos pilotos



Mayday! Mayday! A palavra-código usada em emergências aeronáuticas rompeu a rotina da Sargento Isabella Riici, controladora de tráfego aéreo que atuava no Destacamento de Controle do Espaço Aéreo de Pirassununga (DTECEA-YS), na tarde do dia 2 de janeiro de 2013.

O voo de onde partiu o chamado havia decolado do Aeroporto de Internacional de Guarulhos rumo a Ribeirão Preto às 16h25min. Acionados de última hora, o piloto Adoniran Marques Ribeiro e seu copiloto Rodrigo Barbosa Fernandes cumpriam mais uma missão, como tantas outras. Os radares indicavam que no caminho haveria algumas formações meteorológicas, mas mesmo assim tudo apontava para 40 minutos de uma viagem comum. Não foi o que aconteceu.

“Começou com uma chuva leve, evoluindo para moderada com muita turbulência até que os granizos começaram a nos atingir”, conta o copiloto Rodrigo. Embora hoje os radares e satélites consigam evitar que aviões percorram regiões onde há tempestades severas, muitas vezes o granizo surge onde menos se espera.

Foram apenas segundos de contato com o granizo, mas eram pedras grandes. O randome (bico da aeronave) foi amassado e perfurado. O impacto trincou os vidros da cabine de comando, bem como danificou o radar meteorológico e diversos outros sistemas, o que deixou o avião sem indicações confiáveis de altitude e velocidade. Dos três rádios da aeronave, apenas o que estava em contato com o controlador continuou funcionando. Diversos alarmes soaram.

“Nós entramos num modo chamado de alternatelow. Neste caso, se errássemos qualquer coisa na pilotagem, dependendo da situação, entraríamos em estol, como foi o caso do acidente da Air France”, avalia Fernandes.

Ele conta que houve a degradação dos sistemas e a situação ficou crítica. “O avião ficou perdido, alarmes falsos começaram a soar, a minha tela não tinha mais nenhum dado de navegação, apenas as informações básicas. Não tínhamos condição de saber para onde ir”, relembra o copiloto.

Neste momento os controladores do DTCEA-YS assumiram um papel importante e decisivo para que aquela emergência não se transformasse em um acidente. Com os sistemas comprometidos, estava nas mãos do Suboficial Paulo Dau conduzir a aeronave de forma a evitar outros núcleos das formações pesadas.

“Assim que os pilotos nos reportaram que haviam colidido com uma grande formação de dry ice vimos que a situação requeria um cuidado especial e iniciamos uma conversa imediata com a tripulação para saber o que havia ocorrido bem como das intenções da aeronave”, afirma. Novas colisões com camadas de gelo poderiam agravar a situação e causar a queda da aeronave.

Passada a situação extrema, o suboficial não abandonou a aeronave, continuou conduzindo sobre vetores até a entrada do terminal de São Paulo. Na sala, outros controladores acompanhavam a situação e coordenavam com outros órgãos para que o voo tivesse prioridade absoluta, bem como o apoio necessário para que a aeronave pousasse em segurança.

A gravidade da situação, porém, só foi conhecida pelos controladores há poucos dias, quando os pilotos envolvidos estiveram em Pirassununga para conhecer e agradecer pelo trabalho desempenhado pela sala de tráfego naquele dia.

Em sua visita à unidade, no mês de agosto deste ano, o Comandante Adoniran afirmou que o trabalho em conjunto realizado foi fundamental. “Diante da turbulência severa, eu tinha perdido vários comandos do avião, no entanto a vetoração, a comunicação, o profissionalismo e o amor pela profissão de vocês salvaram nossas vidas”, disse.

“Quando vi a situação, confesso que ali eu nunca senti uma agonia tão grande na minha vida. Você ter certeza que vai cair é algo complicado de lidar”, disse o Rodrigo. “Esse dia ficou marcado em nossas vidas. Era uma obrigação nossa vir aqui e agradecer. A importância de vocês naquele dia foi muito grande. Ficou a vontade de conhecer vocês e compartilhar o que passamos”, disse o copiloto aos controladores.

“Para nós foi uma emergência, mas para eles foi questão de sobrevivência”, avalia a Sargento Isabella.





fonte: FAB



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