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‘Pressão política não vai baixar preço’


O Rio Grande do Norte terá de apresentar argumentos logísticos e comerciais à Petrobras para convencê-la da viabilidade de reduzir o valor do querosene de aviação (QAV) no estado. A opinião é do economista, mestre em Economia da Energia pelo Instituto Francês do Petróleo e presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates. Este encolhimento no preço é apontado por lideranças políticas e empresariais do Estado como possível diferencial na disputa para o Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves ser escolhido como sede do centro de conexões de voos – HUB – da TAM, na região Nordeste. O investimento é almejado também por Ceará e Pernambuco. 

“Não adianta ir à Petrobras querer fazer pressão política. Do tipo 'Presidente Aldemir Bendine, está aqui toda a bancada do RN para lhe pedir um preço especial à TAM para São Gonçalo do Amarante'. Ele vai dizer que vão estudar, analisar e vai acabar caindo para a galera de baixo, o abacaxi para descascarem”, disse Prates. Para o especialista, é preciso uma interação não apenas com elementos técnicos, “já que o combustível é o mesmo para todos os Estados”, mas também logístico e comercial.

“Do ponto de vista logístico, o fato da Refinaria Clama Camarão, em Guamaré, estar mais próxima do nosso aeroporto é um ponto a ser explorado. E, no comercial, se a TAM vier para Natal, vai implicar em uma compra de QAV agregado de um valor razoável de litros, que poderia corresponder à um contrato específico, com desconto por quantidade”, afirmou Prates. Contudo, pelo atual momento da petrolífera, ele ressalta as dificuldades desta negociação, que precisaria ser justificada pela alta cúpula da estatal. 

“A Petrobras presta conta aos seus acionistas. Então, qualquer gestor dela, para tomar qualquer medida deste porte, teria de ser transparente e justificar sua decisão”, pontuou. De acordo com Prates, apesar disso, um grupo de trabalho específico poderia ser criado para ajudar a “construir um cenário” junto à Petrobras, com a participação ativa “das equipes de baixo”, como secretários de Estado, representantes da Clara Camarão, distribuidoras do QAV e gerentes e técnicos da Petrobras. 

“São estas pessoas que, conectadas, seriam capazes de estruturar justificativas e argumentos capazes de resultar em um preço diferenciado de QAV, não somente para o HUB da TAM, mas, para São Gonçalo do Amarante e o aeroporto Aluízio Alves”, analisou Prates. 

Parte deste grupo esteve reunido com o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, e o governador Robinson Faria, na última segunda-feira (17), durante reunião na sede do Sebrae/RN, em Natal, que deliberou esta articulação política para viabilizar a garantia de um querosene para aviação mais barato. Na ocasião, ficou acertado também que será pedida, pela bancada federal potiguar e os três senadores do RN, uma audiência com a direção da estatal. Além de encontros semelhantes uma vez ao mês, até que a Latam anuncie o local escolhido para sediar o HUB Nordeste. 

À TRIBUNA DO NORTE, a TAM reiterou que segue fazendo estudos de viabilidade do HUB e que deve concluí-los até o fim do ano. Sobre quantidade de QAV usada atualmente e projeções a partir do centro de conexões, não quis se pronunciar. 

Bate-papo - Jean-Paul Prates
Mestre em Economia da Energia pelo Instituto Francês do Petróleo

Houve, nesta semana, uma discussão muito mais do ponto de vista político sobre o hub, mas, tecnicamente, o que a bancada federal pode levar à Petrobras?

Eu continuo considerando o QAV, claro, uma cereja do bolo. Seria fundamental que a gente tivesse um aceno nessa situação. Mas, não chega a ser uma coisa que tire o mérito dos outros argumentos que nós temos, das outras grandes credenciais que o Rio Grande do Norte tem para receber, não só esse Hub da TAM, ou outros Hubs, por exemplo, da Azul, que tem procurado também uma casa nova, principalmente, no Nordeste. Nós tínhamos que estar lutando, na verdade, para ter o QAV mais barato do Brasil, da mesma forma que já tivemos o Gás Natural, por ser produzido aqui. O mesmo argumento que fundamentou, durante não sei quantos anos, por mais de uma década, o Progás. Impulsionados, mas, não exclusivamente influenciados pela disputa da TAM, o Governo e os parlamentares podem sim fazer uma movimentação para que a gente consiga um QAV a preços competitivos, em termos de mundo. Para que? Para estimular o fortalecimento do Hub São Gonçalo, não do Hub TAM.

Então, para isso, da nossa parte – Rio Grande do Norte - precisaria ter algo concreto para se levar à companhia, para argumentar?

Pois é. Esse que é o ponto, porque (a Petrobras) é uma empresa que presta conta aos seus acionistas, apesar da crise de credibilidade, passageira, em relação aos investidores, e ela tem que ter governância. Ela já tinha governância e ela não foi questionada, digamos assim, agora, com estas questões todas da investigação da Lava Jato. Não há dúvida que houve, se pôs a prova, toda essa questão da governância, mas, não é por isso que se vai chegar lá agora fazendo o que quer, achando que não existe. Ela existe e foi enrijecida drasticamente. Então, qualquer gestor da Petrobras hoje, para tomar qualquer medida dessa, de cortar um preço, de facilitar algum negócio, alguma coisa, tem que ser, primeiro, transparente, e, segundo, justificado do ponto de vista técnico, logístico e comercial. 

Como deveria se dar essa discussão?

Do ponto de vista técnico, o QAV é igual para todo mundo. Do ponto de vista logístico há um caminho a ser percorrido e do ponto de vista comercial também. No logístico, quem tem que participar desta discussão, além da refinaria, também quem leva o combustível, para os aeroportos, a BR ou a Shell, e os pontos de revenda, quem administra o abastecimento dos aviões no aeroporto, que também tem um pedaço lá no preço. Não adianta ir à Petrobras querer fazer pressão política sufocante. O que eu estou preconizando, é que a gente vá primeiro nestas equipes de baixo. Pessoas aqui da própria refinaria, que possam ser contactadas. Para que nos ajudem a construir um cenário para que a Petrobras possa, justificadamente, ter um preço diferenciado, que ajude a desenvolver o Aeroporto de São Gonçalo, não somente o Hub da TAM. Na logística tem que envolver as outras empresas que estão envolvidas na logística do aeroporto. Para a gente fazer a composição do preço, expondo o quanto é refinaria, o quanto é frete, o quanto é distribuição, revenda, e sinalizando o que cada um pode contribuir para que o preço seja competitivo.

Neste caso, antes de chegar efetivamente ao staff da Petrobras, seria preciso então envolver também o Consórcio Inframerica? 

Isso. Também. Tanto na discussão logística quanto na comercial. Com certeza a Inframerica tem que estar presente, tem que participar. É ela quem vai dizer o que pode oferecer de facilidades no aeroporto, para o transportador, para o revendedor, assim como detalhes de horário, de saída.

Petrobras quer elevar produção de QAV no RN

Um mês antes da TAM anunciar e dar início aos estudos de viabilidade do HUB Nordeste, a Petrobras se comprometeu a investir R$ 50 milhões na ampliação da Refinaria Clara Camarão, em Guamaré, neste segundo semestre de 2015. De acordo com a estatal, na época, com as obras, a produção do querosene de aviação no RN será aumentada em 70%, com toda a quantidade refinada sendo oriunda do próprio Estado.

A capacidade da refinaria foi destacada por Prates. Segundo ele, a “Clara Camarão tem plenas condições de dobrar a capacidade de produção em pouquíssimo tempo”. E acrescentou: “temos uma refinaria com estrutura nova, premiada e completa”. A TN procurou as distribuidoras “BR Aviation” e “Shell Aviation”, que revendem o QAV, mas não obteve resposta s a questões sobre produção, custos e revenda.

O HUB 

Entenda o que a TAM quer implantar e vantagens:

O que é o projeto: A TAM quer transformar um aeroporto do Nordeste em um centro de conexão (hub) de vôos, recebendo voos nacionais e internacionais. A proposta também é montar uma oficina para recuperação de aeronaves.

Quem disputa: 3 capitais disputam o posto de hub Nordeste (Natal – Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, Recife e Fortaleza).

R$ 3,9 bilhões é o investimento previsto pela TAM

Os critérios para a definição da cidade são: localização geográfica, infraestrutura aeroportuária e seu potencial de desenvolvimento, e ainda, que ofereça uma melhor experiência ao cliente. 

NO RN

Voos – Situação, hoje:
O aeroporto de São Gonçalo do Amarante tem 214 voos semanais, cerca de 66 voos diários, em média. Eles viajam para 11 destinos, de acordo com levantamento divulgado em julho pelo consórcio Inframérica, que administra o aeroporto. 

2 destinos internacionais:
* Lisboa (Portugal) - TAP
* Buenos Aires (Argentina) - GOL

9 destinos domésticos:
* Brasília
* São Paulo
* Campinas
* Recife
* Belo Horizonte
* Rio de Janeiro
* Goiânia
* Fernando de Noronha
* Fortaleza

2 novos voos diretos (sem escalas ou conexões) estão em análise, na Anac – ambos da GOL:

*Para Salvador – aeroporto Deputado Luís Eduardo Magalhães
*E para Brasília – aeroporto Pres. Juscelino Kubitschek.

Obs.: A TAM também dispõe de voos internacionais, com escalas.

O que mudaria com o hub:
3 vôos internacionais seriam criados logo após o anúncio
13 novos destinos internacionais nos próximos três anos
18 voos domésticos criados além dos que já existem
223 frequências de vôo semanais
R$ 1,5 milhão de passageiros/ano passariam pelo aeroporto com a consolidação do hub
8 mil a 12 mil empregos gerados direta e indiretamente





Fontes: TAM / Prefeitura de Natal e arquivo TN / Consórcio Inframérica / Anac



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