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Petrobras corta custos e obriga Líder a rever planos

Entre outubro e dezembro, chegam ao Brasil dois helicópteros de grande porte da marca americana Sikorsky. Foram comprados por US$ 30 milhões cada um pela Líder Aviação, empresa que se apresenta como a maior do país no ramo de aviação executiva da América Latina.

Os dois aparelhos são o que restou de um plano que a Líder havia feito ainda num período de otimismo para os negócios no país. Mas como muitas empresas, ela foi alcançada pela crise na Petrobras. E os planos que tinha para os helicópteros - alugá-los para operar em plataformas marítimas de petróleo - viraram pó. Agora, às vésperas de receber as encomendas, a empresa de Minas Gerais não sabe ainda o que fazer com suas novas máquinas milionárias.

Esse é apenas um dos problemas que a Líder tem enfrentado desde que a Operação Lava-Jato começou a desbaratar um esquema de propinas na Petrobras. A estatal mergulhou muna crise, passou a segurar gastos, rever investimentos e a Líder, antiga fornecedora de aeronaves para a empresa, sentiu diretamente os efeitos desse recuo.

“Isso fez com que colocássemos o pé no freio e não fizéssemos investimentos previstos há dois anos”, afirmou o presidente da Líder, Eduardo Vaz, em entrevista ao Valor.

A parte mais significativa dos planos era a aquisição de mais helicópteros, que foram cancelados ou adiados. “Deixamos de exercer a opção de compra de outros seis helicópteros Sikorsky, que seria um investimento de US$ 180 milhões. E tínhamos também a intenção de comprar entre quatro a seis aparelhos menores, um investimento que ficaria entre US$ 50 milhões a US$ 100 milhões”, disse Vaz.

A empresa tem uma frota de aproximadamente 65 helicópteros e 35 aviões. Há dois anos, cerca de 45 helicópteros estavam contratados pela Petrobras e dez era mantidos de reserva. Hoje a estatal contrata perto de 35.

Os dois helicópteros que chegam até o fim do ano foram adquiridos no início de 2014. “Faltavam helicópteros. O mercado era totalmente diferente. A situação mudou numa velocidade muito rápida. Hoje, não temos contratos, não temos solução para utilização desses dois helicópteros”, afirmou o presidente.

A maior parte da receita da Líder vem de contratos com companhias de petróleo que precisam de helicópteros para fazer o vai e vem de funcionários entre a costa e as plataformas de petróleo offshore.

Entre as petroleiras, a Petrobras tem sido, de longe, o maior cliente da Líder nesse negócio. “Há um impacto sobre toda a indústria de petróleo. Todos os fornecedores sentem a desaceleração dos investimentos da Petrobras”, disse Vaz. Uma opção que a empresa avalia é buscar clientes na América Latina. No Uruguai e na Argentina, a Líder já participou de licitações. O México aparece como outro mercado a ser explorado.

A situação no Brasil - somada à queda do preço do barril de petróleo - levou a companhia, com sede em Belo Horizonte, a demitir 300 pessoas nos últimos 12 meses (o contingente atual é de 1.700 funcionários). E além de engavetar a ampliação da frota, a Líder decidiu vender ativos como parte do esforço de manter a saúde financeira. De uma frota de mais de 100 aeronaves, a Líder quer se desfazer de cerca de 20, na sua maioria formada por helicópteros.

A Líder deve faturar entre R$ 1,1 bilhão e R$ 1,2 bilhão este ano, segundo o seu presidente, o que representaria um aumento de até 10% em relação a 2014. Para uma economia em retração seria uma boa notícia. Mas o próprio Vaz ressalva: a valorização de cerca de 30% do dólar em relação ao real desde o início do ano achatou as margens da empresa. “Temos um custo muito pesado em dólar, entre 70% a 80%”. Isso se deve à aquisição de aeronaves, peças de reposição, treinamentos em simuladores, seguro, entre outros itens. A Líder tinha optado por não se proteger com hedge. “É ainda uma operação muito cara”, disse o executivo.

A Lider tem como sócio desde 2009 a americana Bristow, que detém cerca de 40% do capital total. O comandante José Afonso Assunção tem 55%; Vaz e o grupo britânico BBA têm o restante. Vaz assegura que não está nos planos da empresa buscar um novo sócio. E procura se fiar num cenário de que no fim de 2016 o ambiente esteja novamente mais favorável. “Embora não tenhamos a ilusão de que a solução será rápida, esperamos que este seja o fundo do poço.”




fonte: Valor Econômico / Por Marcos de Moura e Souza | De Belo Horizonte

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