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Apesar de lucros, empresas aéreas dos EUA patinam


As companhias aéreas americanas estão obtendo os maiores lucros de sua história. Apesar disso, têm encontrado dificuldades que, em alguns casos, chegam a ser agravadas por essa recente prosperidade.

Funcionários de algumas empresas recusaram propostas de contratos trabalhistas, argumentando que os salários não condizem com o desempenho financeiro da indústria. Reguladores do governo dos EUA iniciaram investigações para verificar se as grandes companhias aéreas violaram regras de concorrência. E os acionistas, aflitos com a possibilidade de o sucesso das companhias aéreas chegar ao fim, têm derrubado a cotação das ações.

“As companhias aéreas estão provavelmente fazendo o melhor trabalho da história do setor na condução dos seus negócios”, diz Jim Corridore, analista de ações da S&P Capital IQ. “Ao mesmo tempo, estão sendo atacadas por todos os lados.”

As empresas têm se beneficiado de anos de reestruturação e consolidação, um foco maior da gestão em lucratividade e uma queda de cerca de 55% no preço do petróleo desde meados de 2014. O custo com combustível, que era o maior do setor, agora passou a ser o segundo, atrás das despesas com pessoal.

O lucro conjunto das companhias aéreas dos EUA superou os US$ 8 bilhões só no primeiro semestre deste ano. Elas anunciaram planos de grandes programas de recompra de ações, estão fortalecendo seus balanços e investindo em seus produtos.

Os aviões também estão mais cheios do que nunca. A Airlines for America, um grupo setorial, prevê que o verão deste ano nos EUA terá o maior número de passageiros de todos os tempos.

No entanto, é o que os passageiros estão gastando em passagens e tarifas extras que está assustando os investidores.

Os custos caíram significativamente para as companhias aéreas americanas, fortalecendo os lucros. Mas a queda nos preços das passagens tem prejudicado a receita por assento por quilômetro voado, uma métrica chamada Rask. Os investidores continuam de olho nesse indicador, que vem despencando este ano e pode não se recuperar até 2016. E eles questionam se as empresas não estão respondendo ao cenário positivo expandindo-se em excesso e, assim, fomentando outra crise.

A cotação da ação da American Airlines Group Inc. caiu cerca de 22% este ano e a da United Continental Holdings Inc.,14,7%. O papel da Delta caiu 7% e o da Southwest, 8,5%, enquanto o da companhia aérea de baixo custo Spirit Airlines Inc. perdeu 22,8%.

As ações de grandes empresas europeias, como a Deutsche Lufthansa AG, também tiveram forte queda este ano, apesar do recuo no preço do petróleo. David Cush, diretor-presidente da Virgin America Inc., considera o ceticismo do investidor exagerado. “As avaliações não refletem a realidade atual”, diz.

Quando a American Airlines divulgou, em julho, um lucro recorde de US$ 1,7 bilhão, ela também dobrou seu programa de recompra de ações, para US$ 4 bilhões - algo geralmente bem visto pelos investidores. Mas a ação caiu. Durante a teleconferência de divulgação dos resultados, analistas bombardearam os executivos da empresa com perguntas sobre o que ela está fazendo para ampliar a receita por passageiro e evitar que as margens continuem a encolher.

Corridore, da S&P Capital IQ, diz que as ações das empresas aéreas como um todo dobraram de valor em 2013 e de novo no ano passado, e que os pontos positivos, como melhoras no balanço e forte geração de caixa, já foram embutidos no preço da ações. “Achamos que os investidores estão agora num ciclo de medo” porque a indústria está crescendo mais rápido do que a demanda e isso está pondo pressão na receita por passageiro.

Empregados das empresas aéreas têm brigado por uma fatia maior do bolo do que seus próprios líderes recomendam. Em julho, por exemplo, comissários da Southwest e pilotos da Delta recusaram tentativas de acordo apoiadas por líderes sindicais. Analistas temem que os custos salariais sejam outra ameaça à lucratividade.

E há ainda questões regulatórias. No mês passado, o Departamento de Justiça dos EUA anunciou que estava investigando se as quatro grandes companhias aéreas do país - American, United, Delta e Southwest - vinham ilegalmente indicando umas para as outras seus planos de reduzir a capacidade para ajudar a elevar as tarifas. As empresas declararam que estão cooperando com as investigações e a maioria afirmou esperar que as investigações mostrem que não houve nenhuma irregularidade. Outras, como a American, afirmam que não fizeram nada ilegal.

O cenário das viagens internacionais também permanece nebuloso. A Associação Internacional de Transporte Aéreo, a lata, alertou nesta semana que a desaceleração da economia na Ásia deve começar a se traduzir em negócios mais fracos para as companhias aéreas.

No Brasil, a situação das empresas aéreas é diferente. Ao contrário das americanas, elas não estão registrando lucro devido à desaceleração econômica no mercado doméstico e à desvalorização do real.

A Gol SA, por exemplo, acumulou prejuízo de quase R$ 1,028 bilhão no primeiro trimestre, comparado com US$ 241 milhões no mesmo período de 2014. A cotação da ação da Gol já despencou em torno de 70% neste ano. Já o Rask caiu 7,8% no primeiro semestre.

Por sua vez, a Latam Airlines Group SA, holding que reúne a chilena LAN e a brasileira TAM, sofreu um prejuízo de US$ 89,7 milhões no primeiro semestre, 10,5% menor que o de um ano atrás. A empresa afirmou que o desempenho no segundo trimestre foi em grande parte afetado pelo cenário brasileiro. O Rask da operação no Brasil caiu 12,1%.

No país, a queda no preço do petróleo tem sido ofuscada pela alta do dólar, que neste ano já subiu cerca de 30% em relação ao real. “Apesar de o Brasil produzir querosene de aviação, seu preço é em dólar, enquanto a receita das companhias aéreas brasileiras é em real”, diz Eduardo Sanovicz, presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). Por isso, o combustível continua sendo o maior custo das empresas brasileiras, cerca de 33%, diz ele.

Sanovicz acrescenta que, devido à crise que atinge a economia brasileira, as viagens corporativas recuaram cerca de 40% este ano e as empresas aéreas estão tendo de reduzir os preços das passagens para manter o nível de ocupação dos aviões em torno de 8o%.



fonte: Valor Econômico / Por Susan Carey | The WaII Street Journal




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