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Empresas aéreas cortam voos para manter rentabilidade


A crise econômica já tem reflexos nos céus do Brasil. Empresas brasileiras e estrangeiras estão reduzindo a oferta de voos. A TAM vai cortar de 8% a 10% de suas operações nacionais este ano. A companhia argumenta que a medida é necessária devido ao cenário econômico desafiador, com a alta do dólar frente ao real e a desaceleração da demanda doméstica. A decisão resultará na demissão de cerca de 2% de seus 28 mil funcionários, ou até 560 pessoas. Estrangeiras como Delta Air Lines e Air France também anunciaram redução de frequências para o Brasil.

Para o consumidor, a decisão deve se traduzir, de imediato, em ainda mais promoções de passagens, num esforço das aéreas para lotar seus aviões e amenizar as perdas de receita. As opções de dias e horários para viajar, contudo, serão menores, embora nenhum destino deixe de ser atendido. A médio e longo prazos, porém, a expectativa é de alta de preços nas rotas que terão cortes em frequências.

— Agosto e setembro são meses de demanda mais fraca, tradicionalmente. Por isso, não devemos ter alta de tarifas nos próximos dois meses. Mas, se a demanda se mantiver constante ou se cair pouco, o impacto nas tarifas será sentido mais para frente — avalia Antônio Azevedo, presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav).

Para especialistas, diante do agravamento do cenário político-econômico, a redução de voos era não só esperada como inevitável. A tendência é que as aéreas se concentrem em rotas mais rentáveis, de maior demanda e tarifa mais elevada.

— Não há economicidade para as empresas aéreas em ficar apenas nas passagens mais baratas. Não adianta carregar mais passageiros, mas apresentar sucessivos balanços negativos. A atitude (para operar durante a crise) é racionalizar o uso da malha, focando nas linhas mais rentáveis — destaca Elton Fernandes, professor da Coppe/UFRJ.

‘CONTEXTO ECONÔMICO DIFÍCIL NO BRASIL’

Para as aéreas, a redução de voos deve resultar em aviões mais cheios, o que pode elevar a rentabilidade. De janeiro a maio, a taxa de ocupação dos voos no mercado doméstico foi de 80,3%, a maior nos últimos dez anos. Mesmo assim, a receita por passageiro tem caído porque, com a maior concorrência e o freio imposto pela crise , as passagens têm preço médio em queda. Com a crise, houve desaceleração na demanda de passageiros corporativos, que pagam mais pelos bilhetes, como mostrou O GLOBO em reportagem publicada anteontem.

— Com a desaceleração econômica, houve uma retração no mercado corporativo. As empresas passaram a buscar mais o passageiro de lazer, que é mais sensível a preço. Isso as levou a fazer mais promoções, jogando a tarifa média para baixo — explica o consultor Allemander Pereira, ex-diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), a relação entre mercado corporativo e de lazer no Brasil, que era de 60% e 40% do total, respectivamente, se inverteu entre março e maio. Com isso, o valor médio pago por passageiro por quilômetro voado, o indicador de rentabilidade do setor, caiu 20% em relação ao ano passado.

As promoções têm sustentado a demanda do setor doméstico que, no acumulado do ano, até maio, cresceu 4,3% sobre igual período de 2014. Mas a procura desacelera mês a mês. Em janeiro, houve crescimento de 9,1% ante o mesmo período do ano passado. Em fevereiro, o índice passou para 4,1% de alta. Em maio, a taxa ficou em 1,2% de expansão, na comparação com o mesmo mês de 2014.

A Abear deve revisar para baixo a expectativa de crescimento do setor, que em 2014, foi de 5,7% (considerando TAM, Gol, Azul e Avianca).

Claudia Sender, presidente da TAM, afirma em comunicado que o corte de frequências é inevitável para manter a competitividade da companhia no mercado doméstico: “A TAM está tomando esta medida para enfrentar um contexto econômico difícil no Brasil, por isso se faz necessário buscar ajustes de malha sem prejudicar a conectividade dos nossos passageiros e fortalecendo ainda mais a nossa competitividade”.

Segundo a empresa, com o corte de voos, a projeção da TAM é passar de estabilidade para queda de 2% a 4% na oferta, considerando o número de assentos e de quilômetros voados, na comparação com 2014. Desde março, a companhia pediu à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) o cancelamento de 23 rotas, entre voos domésticos e internacionais. A TAM informa que o cancelamento não está relacionado ao corte nas operações anunciado ontem e que não deixará de voar para nenhum dos destinos onde está presente.

A Fundação Dom Cabral (FDC) calcula que o corte de até 10% das operações resultará em redução de apenas 3% nos custos para a TAM.

— A TAM vem adotando uma postura muito mais conservadora do que as suas concorrentes mais próximas. Enquanto Azul e Gol se capitalizam para enfrentar esse cenário de desaceleração, a TAM corta oferta e demite. As outras estão buscando reforço no caixa porque estimam melhora no mercado nos próximos três anos — diz Hugo Braga Tadeu, professor de Inovação da FDC.

TEMOR DE DEMISSÕES NO SETOR

Em nota, a Azul informou que não vai reduzir a oferta de voos no país, pois está confiante na melhora do mercado nos próximos anos. Destacou o contrato de compra de mais 120 novos aviões ao longo dos próximos cinco anos, além do aumento de 14 novas rotas domésticas em 2015. “É inegável que o setor sentiu uma retração nas vendas de passagens, sobretudo, para o público corporativo. A companhia espera manter os voos domésticos e internacionais com boa taxa de ocupação, principalmente agora na alta temporada”, diz o comunicado.

Hoje, a companhia mantém taxa de ocupação média das aeronaves de 85% e, de janeiro a maio, detinha 17,13% de participação no volume de passageiros transportados. A TAM é a líder com 37,03%, seguida da Gol com 36,73%.

Os voos no mercado internacional crescem 13,2% no acumulado do ano até maio, o maior percentual em dez anos. Com o dólar mais alto, porém, a demanda deve desaquecer, e as empresas estrangeiras já se preparam para isso com corte de voos para o Brasil. A americana Delta anunciou, em abril, redução de 15% nas sua frequências para cá. A rota São Paulo-Atlanta, por exemplo, caiu de 14 para 11 frequências semanais. Globalmente, a empresa cortou 3% dos voos.

A Air France informou mês passado que vai cortar frequências no fim deste ano. O número de voos entre Rio e Paris passará de 13 para 11 por semana. No caso de Brasília, a rota que tem a capital francesa como destino será operada pelo Airbus 330-200 (208 assentos) no lugar do Boeing 777- 200 (309 assentos). Com estas e outras mudanças, a empresa espera economizar € 80 milhões.

Já a American Airlines, que tem 103 voos semanais entre Brasil e EUA, deixará de ampliar frequências na alta temporada em algumas rotas. Dilson Verçosa, diretor regional de vendas da empresa no Brasil, cita o caso da rota São Paulo-Dallas. Até o ano passado, a linha, além do voo diário, ganhava cinco voos extras por semana.

— Quando chegarmos na alta, não vai precisar colocar tanta frequência. Está difícil planejar com a instabilidade e a redução da atividade econômica. Perdemos a oportunidade de ter trazido ao Brasil o novo 787 (avião da Boeing), que acabou indo para a China em fevereiro.

Para os sindicatos dos empregados do setor aéreo, o anúncio da TAM acende uma luz amarela. Os passos da companhia podem ser seguidos por concorrentes, resultando em demissões.

— Se não houver melhora do quadro econômico a curto prazo, as demais empresas vão cortar oferta. Até o fim do ano, não há estimativa de demissões, pois ainda é possível equilibrar a perda de receita com ganhos vindos da redução do preço do querosene de aviação. Mas não há certeza — diz o comandante Marcelo Ceriotti, diretor jurídico do Sindicato Nacional dos Aeronautas, apesar de a TAM ter garantido que não irá dispensar tripulantes.

No caso dos aeroviários (funcionários que cuidam das operações de solo), o panorama já é ruim. Com a decisão da TAM, vai se agravar.

— Há pelo menos um ano TAM e Gol vêm demitindo aeroviários em todo o Brasil. Dispensam os funcionários com salários melhores e os substituem por outros contratados pelo piso. E ainda reduzem vagas. É uma forma de reduzir custos de pessoal, agravando as condições de trabalho — pondera Luiz Pará, presidente do Sindicato Nacional dos Aeroviários.

Pará destaca que mais de 500 pessoas serão demitidas pela TAM com o ajuste da malha. Ele afirma que o sindicato vem discutindo o assunto com o Ministério do Trabalho e Emprego, pedindo maior fiscalização quanto ao achatamento salarial e a deterioração das condições de trabalho.

AÇÕES CAEM APÓS CORTE DE VOOS

Na Bolsa, as ações das companhias aéreas fecharam em queda. Os papéis da Gol recuaram 7,24%, a R$ 6,15. Os recibos de depósitos de ações (ADRs) da Latam, negociados em Nova York, operavam em baixa de 2,79% no fim da tarde. Para analistas, a readequação na malha da concorrente foi o estopim que faltava para que os investidores dessem início a um movimento de venda de ações da Gol. Isso porque, semana passada, essas ações acumularam uma alta de 9,6%, com o anúncio do estreitamento da parceria com a Delta.

A Gol anunciou investimentos de US$ 146 milhões, sendo que US$ 56 milhões serão aplicado pela Delta, que poderá elevar sua participação. Já a Azul anunciou, no mês passado, que a United Airlines vai investir US$ 100 milhões por 5% do valor da empresa. A Gol não comentou o assunto. Na semana passada, ao anunciar o acordo com a Delta, o vice-presidente financeiro da companhia, Edmar Lopes Neto, disse que o reforço no caixa de US$ 146 milhões ajudará a companhia a passar por um cenário econômico ruim nos próximos dois anos.




fonte: O Globo / ANA PAULA MACHADO / ANA PAULA RIBEIRO



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