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Aéreas se esforçam para reter cliente que paga mais


Companhia aéreas que fazem rotas internacionais a partir de aeroportos brasileiros reforçaram neste semestre ações para manter fiéis os passageiros “premium” - aqueles que voam na classe executiva e na primeira classe - numa conjuntura adversa de fraca demanda corporativa e volatilidade cambial.

Em 2014, cerca de 10% dos 9 milhões de brasileiros que voaram ao exterior compraram classe executiva ou primeira classe. Para este ano, projeções mais otimistas do setor apontam um crescimento inferior a % se surtirem efeito as ações das companhias. “A volatilidade do câmbio continuará pressionando os preços”, diz a diretora da Lufthansa, Annete Taeuber.

Mesmo assim, a empresa alemã escolheu o Brasil - destino de mais de 20 voos semanais do grupo - como um dos primeiros países a receber o novo Boeing 747-8, mais moderno avião da fabricante americana. “Adaptamos a malha, com voos noturnos em ambas direções. Isto significa um grande investimento, já que três aviões ficam estacionados durante todo dia nos aeroportos brasileiros”, disse Taeuber.

O público que paga mais caro justifica esse tipo de ajuste em frota e malha porque é o cliente que garante maiores margens no setor. Segundo a Associação Internacional do Transporte Aéreo (lata), os bilhetes vendidos para classe executiva e primeira classe no mundo representam 6,2% dos assentos, mas colaboram com 27,2% das receitas.

O diretor para o Brasil da Arnerican Airlines, Dílson Verçosa, diz que o momento atual é de promoções para atrair demanda para classe executiva, mas não para a primeira classe. “Não dá para fazer promoção porque é público específico para isso”, diz o executivo da companhia que faz mais de 120 voos semanais para o Brasil. Já a classe executiva comporta promoções mais agressivas, aponta ele. “O contexto da promoção é o de não perder clientes”, diz. “Quando o dólar cai, as pessoas compram mais passagens nas promoções”.

Segundo a lata, enquanto os bilhetes vendidos para classe executiva e primeira classe no mundo cresceram 4,4% em média em abril, ante igual mês de 2014, nas rotas para a América do Sul originadas nos Estados Unidos, por exemplo, houve retração de 11,1%.

É que no Hemisfério Norte os indicadores de confiança do empresariado estão em alta. Já na América do Sul, suas duas maiores economias atravessam estagnação. Por isso, a demanda europeia de passageiros ‘premium’ cresceu 7,8% em abril, enquanto no continente sul americano, o avanço foi de 1,8%.

Segundo executivos do setor, para evitar queda da demanda, as companhias aéreas estão dando descontos para bilhetes de classe executiva. Assim, a diferença de preço - que normalmente chega a 100% para bilhetes da classe executiva em relação à econômica - caiu para faixas entre 20% a 30%.

“Esse momento [de promoções para atrair demanda] é muito bom para os clientes experimentarem as classes ‘premium’, para as aéreas darem aos consumidores o gosto de uma classe executiva”, diz o vice-presidente de vendas e marketing da Gol, Eduardo Bernardes.

A configuração dos Boeing 737-8 00 da Gol que voam aos Estados Unidos e capitais sul-americanas não oferece classe executiva - a aérea vende a classe Confort, com poltronas mais espaçosas e o assento do meio bloqueado. “E a Gol está usando a política tarifária para fazer o cliente experimentar esse produto”, diz.

O vice presidente da Gol admite que a demanda por serviços do segmento ‘premium’ vai além do fator preço. “Para o executivo que vai trabalhar no dia seguinte ao voo, o conforto é fundamental”, diz Bernardes. Para esse público, a Gol disputa mercado graças às parcerias com a americana Delta Air Lines e com a europeia Air France-KLM.

A aérea francesa, que faz quase 30 voos semanais do Brasil, incluiu o país entre os destinos no mundo em que oferece a classe La Première, a partir de novembro, nos voos do Boeing 777-300. Trata-se de uma área segregada, com 3 metros quadrados, onde passageiros são servidos em louças do designer francês Jean-Marie Massaud. “O Brasil é um dos mercados mais importantes para a La Première”, diz o diretor da Air France-KLM no Brasil e Cone Sul, Hugues Heddebault.

A Delta, por sua vez, usa a aliança com a Gol para elevar o alcance da empresa no território brasileiro. A companhia divulga em junho uma série de anúncios no Brasil para ressaltar essa conectividade com os Estados Unidos. “Estamos certos que a campanha publicitária vai incentivar os clientes brasileiros a voarem com a Deita para destinos por todo os Estados Unidos”, diz o diretor da Delta para o Brasil, Luciano Macagno.

A presença de gigantes europeias e americanas na disputa pelo ‘premium’ brasileiro foi uma das justificativas que levaram a maior aérea latino americana, a Latam - dona da TAM e da chilena LAN - a investir mais de R$ 25 milhões em duas salas VIP, nos aeroportos de Guarulhos (SP), com 1,8 mil metros quadrados e capacidade para 450 pessoas, e de Santiago, no Chile, ainda maior.

A Latam quer elevar a receita em voos internacionais, que hoje representam i% da demanda da companhia. Por isso, vai aumentar a oferta nessas rotas em até 6% este ano, enquanto no Brasil, a capacidade ficará estável.

O apetite das aéreas pelas rotas entre Brasil, Estados Unidos e Europa se justifica porque são voos mais longos, operações em que o preço do bilhete na classe executiva e primeira classe embute maior valor agregado - quanto mais quilômetros voados, maior a rentabilidade por passageiro.

Isso explica porque nos voos internacionais sobre o Atlântico Norte, por exemplo, os passageiros ‘premium’, que são 17,2% dos assentos, garantem 55,9% das receitas das empresas aéreas. Uma relação bem mais favorável que nas rotas dentro da América do Sul, mais curtas, onde esse segmento representa 4,2% dos bilhetes, mas 8,3% do faturamento.




fonte: Valor Econômico Por João José Oliveira | De São Paulo
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