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Pouso Alegre e Varginha duelam por projetos de transporte de carga via aérea


Pouso Alegre e Varginha duelam por projetos de transporte de carga via aérea. As duas cidades-polo do Sul de Minas têm projetos em andamento voltados para a implantação de voos de carga para facilitar a logística de mercadorias na região. Mais ambicioso, o plano da Prefeitura de Pouso Alegre prevê a implantação bilionária de um aeroporto internacional, enquanto, no caso de Varginha, uma parceria entre a concessionária do aeroporto de Confins (BH Airport), a Azul e a prefeitura podem usar o atual terminal para conectá-lo ao aeroporto internacional, escapando assim de Guarulhos e Viracopos.

O voo pode ser o primeiro passo para finalmente tirar do papel o projeto do aeroporto de cargas do município por meio do plano de aviação regional do governo federal. Em nota, a Azul confirma as conversas para criar o voo para Varginha. Mas diz que se trata de estudo sem prazo para implantação.

A proximidade de ambas as cidades com três dos maiores centros econômicos do país (Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte) é o principal gatilho para os dois projetos. Cidades próximas podem abastecer e ser supridas de produtos que entram e saem de um dos aeroportos. A proximidade entre elas indica que apenas um projeto deve se viabilizar.

Depois de uma mudança nos rumos da proposta de implantação de um aeroporto internacional de cargas na cidade, a Prefeitura de Pouso Alegre encaminhou à Câmara Municipal projeto de lei com as diretrizes para uma parceria público-privada. A proposta é que a empresa selecionada receba uma contrapartida do executivo para o investimento de R$ 541 milhões no projeto.

A ideia do aeroporto de cargas em Pouso Alegre surgiu com o interesse da multinacional B-Square na construção de um terminal privado. A empresa previa a construção de um condomínio logístico. Juntos, os dois projetos totalizavam à época aproximadamente R$ 1 bilhão em investimentos. Ao longo do processo, outras empresas sinalizaram ter o mesmo interesse. A mudança de rumo teria se dado devido a possíveis restrições da Secretaria de Aviação Civil (SAC) da Presidência da República quanto à liberação de outorga.

Com isso, a prefeitura contratou a Fundação Getulio Vargas para a elaboração de novos estudos de viabilidade econômica e plano de exploração aeroportuária. A instituição entregou a minuta do projeto de lei na semana passada. O modelo, encaminhado à Câmara Municipal, prevê o investimento de R$ 50 milhões por parte da prefeitura. Sem recursos em caixa, a proposta é repassar o aeroporto existente para operação da empresa vencedora da licitação enquanto é construído o novo terminal. Encerradas as obras, o antigo é desativado e o terreno, de 350 mil metros quadrados, fica com a empresa. A Caixa Econômica Federal está avaliando o valor do bem. O total que ultrapassar a cifra deve ser repassado à prefeitura.

Desenvolvimento Os vereadores precisam aprovar o projeto para depois ter início a tramitação do processo licitatório. O passo seguinte será abertura de consulta pública. O procurador-geral de Pouso Alegre, Leandro Roberto Reis, afirma que o aeroporto poderá concorrer com Viracopos, Confins e Guarulhos no trânsito de cargas. “É um divisor de águas na região”, afirma. Os vereadores já aprovaram projeto que permite a prefeitura desapropriar imóveis na região de 5 milhões de metros quadrados onde será instalado o novo aeroporto.

O aeroporto está previsto para ser construído no Bairro Curralinho, na zona rural de Pouso Alegre e às margens da BR-381. A pista terá 4,1 mil metros e capacidade para receber aeronaves categoria E. O terminal de cargas terá capacidade para 78,1 mil toneladas, com área destinadas a cargas vivas, segundo a prefeitura. O projeto pode permitir ao município transformar-se em um polo logístico, concentrando o transporte de cargas do Sul de Minas. Reis afirma que o aeroporto permite inclusive a captação de cargas antes destinadas aos terminais de carga paulistas.

Concorrência Na disputa, o vice-prefeito e secretário municipal de Planejamento de Varginha, Vérdi Lúcio Melo, considera o projeto da cidade vizinha algo ainda distante, “audacioso”. “Pouso Alegre ainda está com o projeto no papel. Há uma ideia, um sonho, uma expectativa”, afirma. Ele se gaba de ter um dos melhores aeroportos do Sul de Minas.

Nas últimas semanas, ele se reuniu com representantes da Azul e da BH Airport por duas vezes para discutir o projeto de voos de carga. Segundo Vérdi, a concessionária de Confins fez um diagnóstico de quais empresas e tipos de carga podem ser transportadas para a Grande BH para depois serem distribuídas para o restante do país e também para o exterior. A lista inclui eletrônicos, peças automotivas e café. “Acontece que a carga que passa por Guarulhos e Viracopos faz Minas perder divisa com impostos”, afirma. O principal, no entanto, é a disputa entre as administradoras por novos voos.

Em abril, a SAC concedeu a outorga para operação do aeroporto de Varginha pela prefeitura. Segundo o governo federal, o município está na fase de estudos preliminares que definirão tamanho de pista, pátio, terminal e os recursos necessários. A expectativa é por investimentos superiores a R$ 100 milhões. Com o contingenciamento de recursos, a implantação do projeto pode demorar um pouco mais, admite Vérdi.

O projeto de cargas pode ser o primeiro passo para a retomada dos voos comerciais. Em meados do ano passado, a Azul deixou de operar as rotas regionais, o que dificulta o vaivém de moradores do interior para a capital. E o contrário.

Para ampliar horizontes

Outros municípios mineiros trabalham para o desenvolvimento de seus aeroportos para conectá-los à malha aérea nacional. Paracatu obteve da Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República outorga para operar o terminal pelos próximos 30 anos. O projeto para receber recursos do plano de aviação regional está em andamento. Em outros momentos, a Azul companhia aérea já mostrou interesse em operar rota comercial na cidade. Em Divinópolis, faltam apenas detalhes para o novo voo da mesma companhia para Viracopos (Campinas) começar a operar.

Será a décima primeira cidade atendida pela companhia aérea no estado. A empresa já opera em Juiz de Fora, Montes Claros, Ipatinga, Patos de Minas, Governador Valadares, Goianá (Zona da Mata), Uberlândia, Uberaba, Araxá, Belo Horizonte e Confins. Segundo a prefeitura, foram feitos todos os investimentos exigidos pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), entre os quais estão a aquisição de caminhões de brigada de incêndio, a construção de sala de embarque e de bagagem e de canal de inspeção. Ao todo, foram destinados R$ 12 milhões para as obras.

No site da agência reguladora, ainda aparece uma restrição aos pedidos de voo no aeroporto de Divinópolis. A pretensão da Azul era criar a rota em março, mas foi adiado para junho. O prazo pode ser estendido novamente caso as obras não sejam aprovadas.





fonte: Estado de Minas
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