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Nada de classe econômica, o jato da Four Seasons é um luxo só


Para passear durante três semanas pelas maravilhas do mundo e se hospedar em hotéis cinco estrelas, o melhor seria viajar com um avião particular, não é mesmo? Sem dúvida. Mas a empresa hoteleira Four Seasons está esperando que 52 passageiros desembolsem US$ 119 mil cada um pelo privilégio de dar a volta ao mundo no seu novíssimo avião. Antes de o jato decolar em sua viagem inaugural — o tour Backstage With the Arts (Nos bastidores das Artes, em tradução livre), de 16 dias pelos pontos de destaque da Europa —, a Bloomberg News entrou no avião no aeroporto Le Bourget, de Paris, para ter uma primeira ideia da transformação multibilionária e descobrir o quanto se pretende mudar no turismo de luxo em grupo.

Vamos deixar isso claro: o avião da Four Seasons não é um Gulfstream — é um jumbo, um Boeing 757-200ER reconfigurado, alugado da TAG Aviation (que fornece pilotos e manutenção) pela TCS World Travel (uma operadora de turismo de luxo) e operado com a bandeira Four Seasons como uma entrada para excursões extravagantes em grupo. E ele ficou realmente sexy com seu novo tom preto metalizado.

No interior, os 233 assentos de tamanho padrão foram substituídos por 52 poltronas completamente reclináveis, dispostas em filas duplas de cada lado. Cada assento chega a 1,98 metro, com um corredor amplo, muito espaço para as pernas e 198 centímetros de espaço pessoal. Os compartimentos superiores de bagagem são quase duas vezes maiores do que eram (e agora comportam 189 volumes), mas ocupam menos espaço sobre a cabeça porque se encaixam na coroa da fuselagem. Um novo sistema de iluminação LED bicolor cria um ambiente clean, tranquilo, em tons lilás e azul claro.

A presidente da TCS, Shelley Cline, não quis revelar detalhes financeiros, mas observou que um reequipamento comercial normal custaria cerca de US$ 15 milhões — e isso não foi um reequipamento normal.

“Para seguir os padrões do Four Seasons de serviços e design realizamos um trabalho muito maior”, escreveu ela em um e-mail.

A Four Seasons vem oferecendo serviços em aviões particulares com a TCS desde 2012, mas esse é o primeiro avião que carrega em sua totalidade a marca da empresa hoteleira, o que dá a ela muito mais controle sobre o atendimento e a logística do que antes, quando alugava aviões de outros.

A EXPERIÊNCIA

Há pelo menos 21 tripulantes e funcionários a bordo com treinamento hoteleiro em cada voo Four Seasons, incluindo três pilotos, dois engenheiros, um “gerente de jornada” (coordenador de viagem), um concierge e um chef executivo. Um médico e um fotógrafo também viajam quando passeios mais aventureiros exigirem — como mergulhar pelos recifes de corais das Maldivas ou observar animais selvagens no Serengueti.

Os chefs dos hotéis Four Seasons fornecem ingredientes locais, que são preparados no ar com um forno a vapor conforme as regras de aviação. Os fornos de convecção estilo avião comuns só podem esquentar os alimentos e por isso as refeições nos aviões costumam ser ruins. O chef executivo Kerry Sear conversa com os passageiros durante o voo para saber as preferências de cada um, depois coordena com os chefs em solo para garantir que os clientes tenham o que desejam a bordo.



Uma boa noite de sono. Aquele sonho inalcançável, pelo qual os passageiros pagam quantias obscenas, parece possível nessas poltronas de couro branco e muito bem feitas. As poltronas foram projetadas por Iacobucci, um artesão italiano cujas criações também estão a bordo de aviões Lear, Gulfstream e Cathay Pacific. Com suavidade e sem fazer barulho, elas se reclinam completamente com o toque de um botão (claramente visível no painel de controle pessoal). As mesinhas são revestidas de madeira envernizada e têm espaço para acomodar com facilidade um laptop pesado ou uma refeição de três pratos. Em contraste com o branco do avião, a madeira dá a sensação de um iate de alta velocidade.

No entanto, os assentos são, de certo modo, decepcionantes. Não há separação ou privacidade que te proteja de um bate-papo indesejado — ou dos roncos — do ricaço ao lado. Com duas poltronas de cada lado do corredor, eles não têm nada a ver com os ambientes fechados da classe La Première, da Air France, ou com os quartos particulares a bordo da Etihad.

O DINHEIRO

Ao sentar-se, você vai encontrar um verdadeiro estoque: kit de toalete Bvlgari, colcha de cashmere, fones de ouvido com cancelamento de ruído e um diário de viagem personalizado com capa de couro da Moleskine, com uma caneta esferográfica combinando. Antes da viagem, cada passageiro recebe um iPad Air 2 para carregar músicas e filmes em um sistema de entretenimento personalizado. Você pode ficar com tudo depois.



O melhor: tem wi-fi grátis, ao contrário dos hotéis onde você vai dormir. Não há garantia de alta velocidade, mas os passageiros podem acessar qualquer site e enviar e-mails; só não podem assistir a vídeos por streaming a bordo para garantir uma boa conexão. No entanto, há diversas opções de filmes e programas de TV, novos e contemporâneos, disponíveis para baixar. Seguindo a deixa do foco em tecnologia dos aviões mais novos, o entretenimento a bordo é igual a qualquer outro.

Ao contrário das comodidades cinco estrelas que você espera encontrar em solo, os quatro banheiros a bordo são tão pequenos quanto os de qualquer classe econômica. Por mais limpos e brilhantes, personalizados e impregnados de ambientador Bvlgari de chá verde, eles não impressionam muito. Outro ponto negativo: toalhas de papel ao invés de tecido. É claro que isso não é grande coisa no contexto geral, mas é nos pequenos detalhes que o luxo se supera.

— Estamos obcecados com o espaço e o desejo de oferecer a nossos hóspedes o máximo possível. Até o mais luxuoso avião particular tem um espaço limitado — explicou Dana Kalczak, vice-presidente de design da Four Seasons.

EXISTEM LIMITES, AS LEIS DE AVIAÇÃO

O 757 da Four Seasons é um avião comercial de acordo com os reguladores de aeroportos, o que significa que você terá sorte se conseguir embarcar em uma pomposa pista particular e puder pavonear como James Bond diretamente no asfalto. Os pilotos pousam em aeroportos civis menores — e evitam monstros como Heathrow, de Londres — sempre que possível. Por isso, em Los Angeles, Londres, Paris e Mumbai, os passageiros são de ouro; em Sidney e Tóquio, nem tanto.



Se não for possível utilizar um aeroporto particular, o Four Seasons organiza pistas rápidas de segurança e o avião está pronto para o embarque assim que você passar pelos controles. Por isso, não é necessário chegar com três horas de antecedência e ficar na sala de espera com o restante dos plebeus (o que poderia ou não ser uma vantagem, tendo em vista algumas das novas salas de espera).

Ao viajar no avião da Four Seasons, você também deve cumprir as regras de segurança relativas ao tamanho das bagagens de mão e à restrição de líquidos dos voos comerciais, o que faz com que aqueles novos e espaçosos compartimentos superiores sejam um tanto inúteis.

Esses detalhes não tão luxuosos, no entanto, não estão impedindo os clientes de reservar suas passagens. O próximo Around the World Tour (Tour de Volta ao Mundo, em tradução livre), programado para agosto, como nove destinos de Seattle a Nova York, passando pela Ásia, já está esgotado. No ano que vem, o itinerário de 24 dias vai custar US$ 132 mil.


fonte: O Globo
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