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Avianca começou com 2 aviões dados por cliente devedor, diz dono da empresa


A solução que o empresário José Efromovich, 60, encontrou para não tomar um calote foi o que abriu as portas para a criação da Avianca Brasil. Em 1998, ele e o irmão German atuavam –e ainda atuam– com prestação de serviços de engenharia para empresas petrolíferas. Um cliente que não podia pagar ofereceu dois aviões executivos como pagamento. Para não ficar no prejuízo, eles aceitaram.

"Era melhor ter dois aviões do que nenhum dinheiro no banco", diz. Hoje a empresa opera na aviação comercial com 41 aeronaves na frota. No ano passado, transportou 7,8 milhões de passageiros e faturou R$ 2,4 bilhões. Foi a quarta maior companhia aérea em participação de mercado no país em 2014, segundo a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), à frente da Passaredo e atrás de TAM, Gol e Azul.

Apesar dos números, o negócio ainda opera sem dar lucro. "Esperávamos equilibrar as contas em 2014, o que não aconteceu. Tudo indica que neste ano vamos zerar o caixa", afirma Efromovich. O valor do prejuízo não foi divulgado. Em 2015, a companhia espera crescer 13% por conta da substituição de oito aviões Fokker com cem lugares por oito Airbus com 162 poltronas.

No começo, os dois aviões de seis lugares eram usados para transportar equipes do Rio de Janeiro para Macaé (191 km da capital fluminense), onde ficavam os clientes petrolíferos. Conforme amigos e clientes começaram a pedir caronas nos trajetos, o empresário percebeu uma oportunidade de negócio e fundou uma empresa de táxi aéreo, a OceanAir, que em 2010 passou a se chamar Avianca Brasil.

Além da Avianca, Efromovich e o irmão são donos do grupo Synergy, que possui empresas na área de petróleo, energia, construção naval e medicina. Em conversa com o empresário, o UOL listou cinco lições de negócios com base em sua trajetória empresarial. Transformar uma crise em oportunidade foi apenas o pontapé inicial. Veja abaixo.

Ao criar a empresa de táxi aéreo, o empresário enxergou um mercado que era pouco atendido, o transporte executivo. Em quatro anos, a companhia tinha sete aviões e fazia voos para cidades dos Estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Em 2004, uma nova oportunidade surgiu para Efromovich. A companhia aérea colombiana Avianca estava em processo de recuperação judicial. A OceanAir fez uma proposta de US$ 65 milhões para a compra de 75% da empresa, que foi aceita pela corte de Nova York. A Avianca Internacional opera separadamente da brasileira e registrou lucro líquido de US$ 120,5 milhões (R$ 364 milhões) em 2014.

Apesar de ter aproveitado uma oportunidade ao criar a OceanAir, a empresa cometeu erros na gestão e registrava prejuízos cada vez maiores. Em 2008, a companhia tinha 34 aviões, sendo seis modelos diferentes, o que demandava seis equipes de pilotos, de aeromoças, de mecânicos e de suporte terrestre. "Se continuasse do mesmo jeito, não aguentaríamos mais um ano", diz Efromovich.

A empresa iniciou processo de reestruturação que levou dois anos. Vinte aviões foram vendidos ou devolvidos (os que eram alugados no sistema de leasing) para que a frota fosse unificada. Foram cortados custos e 20 funcionários da Avianca colombiana vieram para o Brasil para ajudar no treinamento da equipe. "Os ajustes deram certo e nosso prejuízo foi caindo ano a ano", afirma o empresário.

Em meio ao processo de reestruturação da companhia, Efromovich viu que era preciso se diferenciar da concorrência para sobreviver no mercado. "Trouxemos de volta a comida de qualidade no avião, a TV individual, maior espaço entre as poltronas e um atendimento diferenciado", diz. "São pequenas coisas, mas que as outras não faziam bem."

Hoje, com as contas mais controladas e mais crédito, a empresa negocia a compra de aviões para 2022, segundo o empresário. "Não se compra avião da noite para o dia." As novas aquisições, de acordo com ele, consomem menos combustível e têm custo menor de manutenção. "Não faz sentido, no mercado competitivo atual, não tirar proveito de aviões com melhor desempenho", afirma.

Ao entrar para a aviação, Efromovich diz que foi "infectado" por uma bactéria chamada "aerococos", que o tornou apaixonado pela atividade. "Cada negócio deveria ter o seu 'cocos', no sentido de infectar a pessoa para que ela trabalhe com paixão", declara.

Com a mesma empolgação, ele se levanta no meio da entrevista para aplaudir o avião de sua companhia que decola do aeroporto de Congonhas, localizado de frente para seu escritório na capital paulista.



fonte: Portal UOL
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