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Sem medo de voar


Pelo menos cinco grandes acidentes aéreos marcaram o ano de 2014, matando cerca de 650 pessoas em todo o mundo. O último deles aconteceu no domingo (28/12), com um avião da companhia AirAsia, que voava da Indonésia para Cingapura. A aeronave transportava 162 pessoas.

De acordo com dados do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), até abril haviam acontecido apenas dois acidentes em Goiás, um em Silvânia e outro em Santa Rita do Araguaia. Ambos envolveram dez pessoas, mas todas sobreviveram. Os números podem até parecer assustadores, mas são considerados baixos diante da quantidade de voos realizados diariamente em todo o mundo.

Em Goiânia, as viagens aéreas não foram afetadas pelas tragédias. No último dia 15, a Infraero colocou em operação o plano de ação para a movimentação de alta temporada que segue até 6 de janeiro. Nesse período, cerca de 229 mil embarques e desembarques devem movimentar o Aeroporto Santa Genoveva, um crescimento de 8,5% em relação ao mesmo período do ano passado, que somou 7,4 milhões de passageiros.

O HOJE ouviu, no aeroporto, três passageiros que se preparavam para viajar. Apenas o policial Jony Cazaubon da Silva, 30 anos, que mora em Porto Alegre (RS), disse ter um “medo controlável” de voar. Pai de Gustavo, 4, ele vem a Goiânia pelo menos três vezes ao ano para ver o filho. “Voar é uma atividade diferente porque não é algo da nossa rotina, mas aos poucos vamos acostumando.” Cazaubon diz confiar no transporte aéreo, mas não descarta que o meio de transporte é passível de falhas. “Um acidente sempre pode acontecer”, admite.

A estudante Mariana Alves Silva, 22, viaja de avião só há dois anos, mas, mesmo com a pouca experiência, ela garante não ter medo algum de voar. “Para mim, é bem tranquilo.” Sobre a quantidade de acidentes aéreos em 2014, ela diz não se sentir abalada e sempre faz uma oração antes de embarcar.

Já o músico paulista Marcelo Rosner, 30, se mostra receoso com a quantidade de acidentes neste ano, mas encara as tragédias como “obras do acaso”. Apesar disso, ele confia plenamente nos aviões. “É muito seguro e nos passa bastante confiança, por isso, eu vou tranquilo”. Rosner também sempre faz suas orações antes dos voos. “Eu acabo sempre apelando para as divindades que eu acredito”, conta.

Medo precisa ser controlado, diz psicóloga

A psicóloga clínica Arilda Ximenes ressalta que tudo aquilo que não é uma condição natural do ser humano leva ao medo, como é o caso de voar. “O medo é uma questão de sobrevivência, mas é necessário encará-lo para viver. Muitas pessoas desenvolvem ansiedades e não conseguem nem embarcar; nesses casos vira uma patologia e por isso a pessoa precisa canalizar esse medo para ter uma vida normal”.

Segundo Arilda, o medo de voar se desenvolve também porque o passageiro se vê em condição submissa à tecnologia e sob o comando de alguém, o que dá uma sensação de impotência.

Sobre as notícias de tragédias relacionadas a acidentes aéreos, a especialiasta explica que têm papel dúbio. “Provocam o medo, mas também confortam por que mexem com a fraqueza das pessoas e as levam a conviver e a falar sobre o assunto, fato que ajuda a banalizar essa fraqueza”, acrescenta. (F. F.)



fonte: O Hoje - GO / Foto: Janne Pellikka
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