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Aviação: Mais obstáculos para as europeias

Para as grandes companhias aéreas da Europa, o mundo está cada vez mais dividido entre as que já têm um modelo de negócios sustentável e as que estão lutando para ter um.

A situação das empresas do segundo grupo pode piorar ainda mais antes que comece a melhorar, agora que os indicadores econômicos dos países da zona do euro estão em declínio. Isso aumenta os desafios de aéreas como a Air France-KLM, a maior da região em tráfego, e sua rival Lufthansa.

"A fraqueza da zona do euro é um problema fundamental que pode muito bem superar os eventuais benefícios do combustível mais barato", diz Gerald Khoo, analista da Liberum.

As duas empresas foram atingidas por conflitos trabalhistas complicados, em que pilotos se opuseram a planos para corrigir a situação de rotas deficitárias de curta distância. No início do mês, a Air France-KLM alertou que uma greve de 14 dias reduziu seu lucro anual em € 500 milhões. Agora que o problema foi resolvido, a questão principal para a empresa ao divulgar seus resultados do terceiro trimestre, hoje, é se a fraqueza da economia se disseminou ainda mais pelo mercado, diz Khoo.

Na Lufthansa, perdas causadas por repetidas greves de pilotos nas últimas semanas está levando analistas a prever que a empresa vai cortar sua previsão de lucro pela segunda vez este ano quando anunciar os resultados do terceiro trimestre, amanhã. O impacto das greves sobre as vendas provavelmente vai anular o ganho com o recuo nos preços do combustível e o tráfego maior em setembro.

"Agora que a atividade industrial vai entrando no quarto trimestre, acreditamos que o risco para as metas anuais esteja aumentando", diz Oliver Sleath, analista do Barclays.

Em junho, a Lufthansa rebaixou sua previsão de lucro operacional de € 1 bilhão para o ano, culpando o lento avanço de vendas e as agitações trabalhistas por afetarem seu plano de corte de custos. Desde então, os pilotos interromperam as operações várias vezes. Eles se opõem às propostas da Lufthansa de elevar a idade para aposentadoria antecipada e de transferir rotas para sua divisão de baixo custo.

A empresa alemã anunciou, em julho, um plano para transferir rotas de curta distância para sua divisão de voos mais baratos e, ao mesmo tempo, passar algumas rotas de longa distância para um modelo de negócios de custo menor.

Segundo a companhia, o sindicato que representa a tripulação de cabine e as divisões de manutenção e alimentação da empresa concordaram com alguns cortes de custo, mas não houve "nenhuma disposição" por parte dos pilotos para encontrar uma solução.

Jörg Handwerg, porta-voz do sindicato dos pilotos, diz que é relativamente fácil para os outros sindicatos aceitar cortes. "Mas isso não funciona para nós - não podemos simplesmente tirar os pilotos da cabine", diz ele. "Isso tem a ver diretamente com a remuneração, e as exigências são irrealistas."

Os membros da tripulação não são os únicos a questionar o plano da Lufthansa. "Na sua determinação de cortar custos e manter sua participação no mercado de rotas ponto a ponto, acreditamos que a Lufthansa vai acabar com um conjunto complexo de marcas desconhecidas que simplesmente vão prejudicar seu desempenho financeiro", diz Sleath.

A Air France-KLM e a Lufthansa só precisam olhar para a controladora da British Airways, a IAG, para constatar que períodos difíceis de reestruturação podem gerar resultados. O presidente da IAG, Willie Walsh, reestruturou a deficitária divisão Iberia, o que incluiu o corte de mais de 3 mil empregos, a que os sindicatos se opunham.

A empresa pode apresentar uma melhora na sua previsão de lucro anual quando divulgar seus resultados do terceiro trimestre, na sexta-feira, diz James Hollins, analista da Nomura. Rendimentos altos e uma pequena ajuda do combustível mais barato podem elevar a projeção para pelo menos € 1,27 bilhão para o lucro antes de juros e impostos em 2014. Os cortes de custos na Iberia, a melhora das economias do Reino Unido e da Espanha e a baixa no preço dos combustíveis podem acabar levando a um aumento nas estimativas do lucro também em 2015.

As dificuldades enfrentadas por algumas grandes operadoras europeias têm sido uma benção para suas rivais de baixo custo. Neste mês, a EasyJet elevou a previsão de lucros antes de impostos no ano fiscal encerrado em setembro, ajudada em parte pelo tráfego extra que obteve enquanto a Air France estava em greve. Na segunda-feira, a Ryanair também deve divulgar resultados robustos. As greves nas concorrentes e aviões lotados nos últimos meses devem ajudar a empresa a "superar facilmente" as previsões, diz Sleath "Esperamos que a empresa apresente a maior alta de lucros no setor no inverno [no hemisfério norte]", acrescenta.




fonte: Valor Econômico
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