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Óleo de cozinha vira combustível de avião


A companhia aérea finlandesa Finnair usou óleo de cozinha reciclado como parte do combustível de um Airbus A330 em um voo de Helsinque a Nova York. O conceito é interessante. A companhia aérea não pretendia revelar a proporção de combustível fóssil para óleo de cozinha que usou até o avião pousar, mas para ser certificado o combustível de jato precisa conter pelo menos 50% do tipo sujo, tradicional.

Parte do óleo de cozinha usado é dejeto de restaurantes. Antes de ser bombeado num avião, ele foi filtrado para remover impurezas (como fiapos de bolinhos de frango, por exemplo), e depois refinado. Nesse ponto, ele se torna quimicamente quase idêntico à variedade fóssil, e pode ser simplesmente“ vertido” na mistura, de acordo com as informações da Finnair. Isso significa também que os motores do avião não precisam ser modificados para consumir a mistura.

No entanto, ainda pode demorar um bom tempo para aviões comerciais serem movidos a biocombustível (não houve passageiros a bordo do voo da companhia finlandesa).

Ainda é caro demais coletar e refinar o óleo – atualmente sua produção custa aproximadamente o dobro da produção do combustível tradicional. Para essa proporção mudar, o custo do carbono teria de subir significativamente, seja pela precificação normal do mercado (uma estimativa sugere que o preço do petróleo teria de atingir US$ 168 o barril para o biocombustível para os jatos ser competitivo), seja por regulamentação.

Emissões menores. A Finnair admite que mudar para uma fonte de combustível mais sustentável reduziria as emissões líquidas de gás carbônico (CO2) entre 50% e 80%.Mas o uso mais generalizado de biocombustíveis não seria tranquilo. Algumas pessoas acreditam que o uso das terras agrícolas utilizadas para as colheitas propícias à produção de combustíveis significam uma redução da produção de alimentos ou mais desflorestamento, embora os cálculos não sejam minimamente conclusivos.

Aliás, o primeiro voo movido parcialmente a biocombustível por um avião comercial foi feito pela companhia britânica Virgin Atlantic, em 2008. Ela acrescentou 20% de óleo de coco e de castanha a um dos motores de um Boeing 747 que voou de Londres a Amsterdã, algo que provavelmente provocaria mais questionamentos ambientalistas hoje.

É por isso que o óleo de cozinha reciclado é tão interessante. A Finnair espera criar uma “central de biocombustíveis” no Aeroporto de Helsinque, usando combustível “que nem compita com a produção de alimentos nem prejudique a biodiversidade”.

A outra coisa que poderia alterar a proporção, é claro, seria se os consumidores estivessem preparados para pagar mais por um voo movido pelo óleo usado da batata frita. Experiências sugerem, no entanto, que isso é muito improvável.

Aliás, todos os indícios são de que estamos ficando cada vez mais seduzidos por tarifas aéreas mais baixas. Um objetivo menos ambicioso seria, talvez, convencer as pessoas de comerem o dobro de batatas fritas e, com isso, inundar o mercado de óleo reciclável – o que significaria dar uma pequena contribuição pessoal à sustentabilidade. A campanha começa aqui. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

Petróleo
Para o biocombustível para aviões se tornar competitivo, estimativa é que barril do petróleo precisa estar cotado a US$ 168. Atualmente, o preço está por volta de US$ 90.


fonte: O Estado de S.Paulo
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