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Ex-funcionários da Varig protestam por benefícios

Ex-funcionários da Varig e Transbrasil fizeram, na semana passada, manifestações em oito capitais para pressionar o governo federal a cumprir decisão judicial que determina a volta do pagamento integral de benefícios, pensões e auxílio-doenças nos moldes estabelecidos antes da liquidação do fundo de pensão Aerus, em 2006.

Há oito anos, os ex-trabalhadores das companhias aéreas recebem só 8% de seus benefícios. A Justiça já concedeu três antecipações de tutela em favor dos aeronautas, mas duas foram derrubadas pela Advocacia-Geral da União (AGU). A terceira, concedida no mês passado pelo Tribunal Regional da 1ª Região, em Brasília, estabelece o prazo até o dia 28 para que a União cumpra a decisão, sob pena de multa diária de R$ 100 mil.

A manifestação no Rio foi realizada em frente ao prédio da AGU, em meio a diversos protestos e cartazes dirigidos à presidente Dilma Rousseff, com os seguintes dizeres: “Presidenta Dilma, chega de enrolação. Queremos nosso dinheiro na mão”, “Presidenta Dilma, a justiça é para todos mesmo? E o Aerus? Cumpra a sentença”.

Também foi protocolado perante a AGU pedido solicitando o imediato cumprimento da decisão judicial. A AGU ainda pode recorrer da decisão, cenário que a Federação Nacional dos Aeronautas e Aeroviários (Fentac-CUT), Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) e a Associação dos Funcionários Aposentados e Pensionistas da Transbrasil (AAPT) tentam evitar.

— Só queremos voltar a receber nosso salário integral imediatamente. Os valores retroativos vamos discutir depois — destacou Varig Zoroastro Ferreira Lima Filho, de 83 anos, diretor do SNA e coordenador das manifestações no Rio. Com 38 anos de voo na Varig e Cruzeiro do Sul, ele recebe apenas R$ 868 por mês do Aerus.

Cerca de 1,2 mil participantes faleceram sem receber o valor que tinham direito do Aerus, razão pela qual os manifestantes insistem no cumprimento da decisão pelo governo. Segundo Lauro Thaddeu Gomes, advogado das três entidades, esse foi um dos principais pontos destacados pelo desembargador Daniel Paes Ribeiro na última decisão. Segundo Gomes, só em setembro foram registradas 53 mortes, número considerado “chocante” pelo desembargador.

Fentac-CUT, SNA e AAPT também deram início a uma ação para que, a partir de agora, a União seja responsabilizada por novas mortes de associados. Segundo Graziela Baggio, ex-presidente do SNA, as entidades fornecerão todo o suporte jurídico às famílias.

– O óbito, na maioria das vezes, ocorre por infarto fulminante. A idade média dos nossos associados é de 70 anos, mas sabemos que muitas dessas mortes ocorrem por contrariedade e desgosto em função dessa situação que se arrasta há tanto tempo – disse.

Recebendo apenas 8% do valor devido, aposentados e pensionistas passam por dificuldades. Shirley Amaral, ex-comissária de bordo da Varig, diz que a ajuda que recebe dos dois filhos é sua salvação.

— Não fossem eles, eu estaria morando na favela. Tenho muitos amigos que, sem condições de pagar aluguel, estão na favela; outros sofreram infarto ou se suicidaram.

Sônia Cortes, por exemplo, recebe pensão alimentícia cujo valor é insuficiente para arcar com o tratamento de sua filha, que tem necessidades especiais. Carlos Alberto Victorio, que foi aeronauta por 30 anos, reclama que seu salário despencou de R$ 5,2 mil para R$ 700.

Os aeronautas prometem uma grande mobilização em Brasília no dia 14. Detalhes não foram divulgados sob o argumento de que querem pegar o governo e a presidente Dilma de surpresa.



fonte: O Globo
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