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Embraer cresce na venda de usados


O mercado internacional tem absorvido os E-Jets usados da Embraer para substituir jatos mais antigos e ineficientes em termos de consumo de combustível ou para empregá-los na criação de novas rotas e mercados. Segundo o diretor de administração de ativos da Embraer, Paulo Estevão de Carvalho Tullio, companhias aéreas recém-criadas, como a Air Lituanica, da Lituânia, e Air Costa, da Índia, estão adquirindo aviões usados Embraer para iniciar suas operações com aviões modernos e de baixo custo operacional.

A venda de aeronaves usadas é um negócio que a Embraer administra por meio da subsidiária integral ECC Leasing Company Limited, criada em setembro de 2002. De lá pra cá, segundo o diretor da empresa, a ECC já administrou por volta de 170 aeronaves de fabricação da Embraer e também de outros fabricantes.

"Nosso portfólio nos coloca em uma posição única para oferecer uma solução completa, que alia a venda ou o leasing das aeronaves regionais aos benefícios de negociar diretamente com o fabricante", disse o executivo.

Muitos dos aviões usados são guardados no deserto, considerado o melhor lugar para deixar as aeronaves

Depois de testar o E190 em sistema de arrendamento, a Royal AirMaroc, do Marrocos, fez um contrato de aluguel para quatro jatos do modelo junto à empresa de leasing Aldus Aviation. A Saravia, da Russia arrendou dois E190 usados de fabricação Embraer e a Borajet, da Turquia, quatro aeronaves do mesmo modelo. De acordo com a Embraer, estas duas companhias fizeram o contrato de leasing através de outra empresa.

Este também é o caso da Swiss Air Lines. A companhia alugou quatro Embraer 190 da parceira Helvetic Airways como uma substituição interina para a sua frota do jato regional Avro RJ100, que será renovada com o modelo canadense Bombardier CSeries. A Swiss adquiriu 30 unidades do avião canadense, mas devido a atrasos no programa de desenvolvimento, as entregas dos jatos foram adiadas para a segunda metade de 2015.

Outros exemplos de reposicionamento de aviões incluem a família ERJ-145, para até 50 passageiros, sendo que alguns foram alugados da ECC, da Embraer, e os demais de outras companhias de leasing do mercado.

O diretor da Embraer cita ainda como exemplos a JetGo Australia Holdings, da Austrália, que opera 3 jatos ERJ 135 em contrato de leasing, sendo um deles da ECC. A Mauritania Airlines, da Mauritânia, opera um ERJ 145 da ECC. A Rotana Jet, dos Emirados Árabes Unidos, voa dois ERJ 145, fornecidos pela ECC, e a Novo Air, de Bangladesh opera 3 jatos ERJ 145.

O executivo diz que a empresa possui em seu portfólio jatos da família ERJ 145, que não são mais fabricados, e também da atual família de E-Jets, com capacidade para 70 a 120 assentos.

A Embraer produziu quase 900 jatos da família ERJ-145 no mundo (de 37 a 50 lugares) e mais de mil unidades dos E-Jets. Segundo o Valor apurou, com a chegada dos E-Jets da segunda geração, a partir de 2018, a tendência é que a família atual seja aos poucos substituída e seus aviões passem a integrar o portfólio da ECC.

Além dos jatos comerciais, segundo Tullio, a ECC oferece uma versão shuttle do ERJ-135, com 16 assentos, direcionada para operações corporativas. Muitos desses aviões usados são guardados no deserto, considerado o melhor lugar para deixá-los. Esta é uma prática comum neste mercado, pois no deserto os aviões não sofrem problemas de umidade enquanto estão sendo negociados.

O diretor da ECC disse que vê mais oportunidades de colocação do ERJ 145 para substituir antigos turboélices em mercados emergentes, como a África e parte da Ásia. Os E-Jets, por sua vez, encontram maior demanda em mercados maduros, como a Europa.

Tullio não revela o preço médio das aeronaves usadas. Ele explica que cada operação comercial depende de uma série de variáveis, como o tempo de operação do equipamento e a vida útil dos seus componentes, principalmente os motores. "O essencial é o cliente avaliar qual a melhor aeronave para seu tipo de operação e modelo de negócios e é aqui onde entra a inteligência da ECC, oferecendo todo o suporte para essa avaliação", ressaltou.

A participação da Embraer na recomercialização dos seus produtos no mercado secundário, geralmente acontece quando a empresa recebe uma aeronave usada de um cliente, como parte do pagamento de uma nova.

Um dos objetivos da Embraer com a venda de aeronaves usadas é assegurar que o seu valor residual (ao término do contrato de financiamento) permaneça estável e atrativo para as companhias aéreas, os bancos e as empresas de leasing com interesse em investir nesse tipo de ativo.

fonte: Valor Econômico
Por Virgínia Silveira
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