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Vôo do 14-Bis


Selo comemorativo do Centenário
do vôo do 14-Bis

 Alberto Santos Dumont (1873-1932) era descendente de imigrantes, como a maior parte do povo do Brasil. Era neto de franceses, por parte de pai, e bisneto de portugueses, por parte de mãe. Sempre evidenciou o seu orgulho de ser brasileiro e sempre externou serem sucesso brasileiro as suas conquistas ímpares para a humanidade.

A primazia do Vôo autônomo


A principal conquista de Santos Dumont foi ser o primeiro homem no mundo a voar em aparelho mais pesado que o ar utilizando unicamente os recursos do próprio aparelho.


Foi o primeiro a construir e pilotar o avião que cumpriu todos os requisitos básicos de vôo usando apenas os meios de bordo: táxi, decolagem,vôo nivelado e pouso. Além disso, foi o primeiro que demonstrou isso publicamente. Seu vôo pioneiro contou com o testemunho de multidão, a filmagem por companhia cinematográfica e o reconhecimento e a homologação do órgão oficial de aviação da época, o L’Aéro-Club de France.

14-Bis

Essa denominação adveio do fato de Santos Dumont, inicialmente, ensaiar o novo aparelho acoplando-o ao seu balão-dirigível nº 14.

O Prêmio Archdeacon, estabelecido em julho de 1906, estimulou os inventores do mundo para a realização do primeiro vôo autônomo de mais de 25 m com aparelho mais pesado que o ar.

Santos Dumont, que até então se destacara com os “mais leves que o ar” (balões livres e balões-dirigíveis), resolveu competir.

Em 18 de julho de 1906, concluiu o 14-bis, cuja concepção estava sendo por ele maturada em silêncio há algum tempo. Em 23 de julho, já ensaiou em público, em Bois de Boulogne, Paris, o novo avião preso ao balão-dirigível nº 14. A partir de 21 de agosto, passou a experimentá-lo separado do dirigível.

O 14-bis estava, inicialmente, equipado com um motor de apenas 24 Hp, a gasolina, tipo Antoinette, com 8 cilindros (4x4, em “V”), construído por León Levavasseur. Santos Dumont percebeu estar o avião submotorizado. As asas eram formadas por seis “células de Hargrave”. Cada célula tinha a forma de cubo com duas faces vazadas. Os “lemes” compunham uma “célula de Hargrave”. Todas as superfícies do 14-bis eram de seda japonesa; as armações, de bambu e pinho; as junções da estrutura e as hélices, de alumínio; e os cabos-de-comando, de aço.

A configuração usada por Santos Dumont no 14-bis, a qual veio a ser batizada em aviação como “canard” (pato, em francês), por apresentar os lemes na parte dianteira do avião. A configuração “canard” não é a melhor para a estabilidade e o controle de um aeroplano, sendo por isso menos usada posteriormente. Nos seus inventos seguintes, como os aviões nº 15 e Demoiselle, Santos Dumont não mais usou aquela configuração.

Veja abaixo a ficha técnica do 14-Bis:

Envergadura 12m
Comprimento 10m
Altura 4,8m
Superfície das asas 80m²
Corda (largura) das asas 2,5m
Separação entre os dois planos das asas 1,5m
Conjunto estabilizador/profundor/leme de direção (simplificadamente, “lemes”) 3m de largura, 2m de comprimento e 1,5m de altura
Hélice de 2 pás 2,5 m de diâmetro
Peso total do avião (desconsiderando o peso de Santos Dumont) 160kg


V ôo do 14-bis em 23 de outubro de 1906 - Conquista do “Prêmio Archdeacon”

Esse dia veio a ser de grande significado para a humanidade.

Em 23 de outubro de 1906 (16h45), após corrida no solo de 200m, o 14-bis voou a distância de 60 m, à altura de 2 a 3 m, em 7 segundos (s). Santos Dumont conquistou, com esse vôo, o prêmio estabelecido pelo capitalista francês Ernest Archdeacon ao “primeiro aviador que conseguisse voar distância de 25 m com ângulo máximo de desnivelamento de 25 %”.

A notícia rapidamente espalhou-se e foi muito publicada nos jornais do planeta. Por exemplo, o “The Illustrated London News”, de Londres, em 03 de novembro de 1906, publicou: “The first flight of a machine heavier than air: Mr. Santos Dumont winning the Archdeacon Prize”. Na mesma ocasião, o norte-americano Gordon Bennet, fundador e proprietário do famoso “New York Herald”, escreveu no seu jornal sobre a façanha de Santos Dumont: "The first Human mechanical flight". Assim também foram as manchetes de vários outros grandes jornais em todo o mundo.

Além do Aeroclube da França,a Federação Aeronáutica Internacional (FAI) reconheceu a conquista do prêmio, pois o 14-bis voara muito mais do que o limite mínimo de 25 m. Todavia, aquele vôo de 60 m em 23/10/1906 não teve todas as precisas medições pela FAI para formal homologação de recorde, a qual veio a ocorrer em outra experiência duas semanas após, em 12 de novembro de 1906.

A Conquista do Prêmio Aeroclube da França e do Primeiro Recorde Oficial de Aviação

O Prêmio do Aeroclube da França, de 1500 francos, também estabelecido em julho de 1906, foi destinado ao primeiro homem no mundo que realizasse, com os próprios meios do aparelho, vôo de mais de 100 m de distância com ângulo máximo de desnivelamento de 10 graus.

Vinte dias após o seu grande feito de 23 de outubro, Santos Dumont prosseguiu em 12 de novembro na tentativa de também vencer aquele desafio lançado pelo Aeroclube da França. O 14-bis, nessa data, apareceu aperfeiçoado com a novidade tecnológica “ailerons”, superfícies móveis colocadas nas asas, uma em cada lado, para melhorar o controle lateral do avião (em “rolamento”).

Diferentemente de todos os vôos anteriores, Santos Dumont decolou contra o vento. O 14-bis voou a uma distância de 220m, à altura de 6m com duração de 21 s e 1/5 e velocidade média de 37,4 km/h.

O vôo de 220 m do dia 12 de novembro foi homologado pela Federação Aeronáutica Internacional (FAI) como o primeiro recorde mundial de aviação. Recorde de distância de vôo, sem escala, de aparelho mais pesado que o ar. A FAI também considera o penúltimo vôo do 14-bis naquela data como o primeiro recorde de velocidade: 41,292 km/h.

A revista norte-americana “National Aeronautics” (nº 12, volume 17, de 1939), órgão oficial da “National Aeronautics Association” sediada em Washington (EUA), também registrou o vôo de 220 m de Santos Dumont em 12 de novembro de 1906 como o primeiro recorde de aviação do mundo. A revista descreveu os posteriores recordes de distância de vôo.

Santos Dumont ainda realizou outros pequenos vôos com o 14-bis. Cinco meses depois, encerrou os ensaios com o famoso aparelho. Em abril de 1907, no campo da Escola Militar, em Saint Cyr, Paris, depois de vôo da ordem de 30m, pousou bruscamente, tocando com a asa esquerda no solo e danificando definitivamente o avião.

Em 18 de setembro de 1909, com o Demoiselle nº 22, aos 36 anos de idade, Santos Dumont realizou o seu último vôo como piloto, segundo vários de seus biógrafos. Em Saint Cyr, Paris, sobrevoou o público com os dois braços abertos, fora dos comandos e um lenço em cada mão. Ele soltou-os em vôo, aplaudido.

A primazia de Santos Dumont e os Irmãos Wright

Os irmãos Wright conseguiram, pela primeira vez, em 21 de setembro de 1908, em Anvours (França), voar publicamente e até superar em muito as marcas de Santos Dumont. Porém, isso ocorreu dois anos após Santos Dumont já ter conquistado os primeiros recordes aeronáuticos oficiais, e na época em que nosso pioneiro já voava há um ano com sucesso o seu avançado Demoiselle, e quando a aviação demonstrava progresso acelerado em várias partes do mundo.

Ainda mais, o avião “Flyer” dos Wright dependia de lançamento por grande catapulta, de vento forte e de trilho em ladeira para poder decolar. O trilho poderia ficar na horizontal se houvesse forte vento frontal superior a 36 km/h, segundo o “National Aeronautics Council” (livro de N. H. Randers-Pehrson, pág. 35, Biblioteca do Congresso, EUA, 1944). A queda de 5 m de altura de grande peso de aproximadamente 300 kg impulsionava violentamente o avião sobre o trilho e, assim, o lançava no ar em decolagem, caso houvesse vento suficiente para mantê-lo em vôo.

Os irmãos Wright noticiaram terem usado, em 1903, motor desenvolvido por eles, que alcançava apenas 12 Hp. Segundo especialistas em engenharia aeronáutica, mesmo com toda a atual tecnologia, seria impossível, com a potência de somente 12 Hp, fazer decolar o “Flyer 1” que pesava 340 kg segundo os dados fornecidos pelos Wright.


O avião "Flyer" dos irmãos Wright

Mesmo assim, em 1908, os irmãos Wright disseram ter realizado sigilosamente o primeiro vôo de avião no mundo cinco anos antes, com o “Flyer 1”, em 17 de dezembro de 1903. Tal avião, segundo eles, não foi, nem poderia ter sido, mostrado a terceiros pois teria sido completamente destruído logo após o alegado vôo secreto de dezembro de 1903. Somente em 1908, apresentaram alguns supostos restos do que teria sido o “Flyer 1” de 1903 e, como respaldo, o nome de cinco testemunhas leigas das redondezas de Kitty Hawk, duas delas seus contratados. Está no museu Smithsonian (Washington-EUA) o resultado da reconstrução imaginada sobre aqueles hipotéticos pedaços do “Flyer 1”.

As “provas” dos vôos que teriam sido feitos em 1903 foram apresentadas pelos irmãos Wright extemporaneamente. Somente em 1908, mostraram: uma foto sem data do Flyer (sem rodas, a alguns palmos de altura sobre o trilho lançador); o diário deles, onde diziam terem voado “n” metros por “t” segundos nas datas “x”, “y”, “z”; e um telegrama passado por eles mesmos ao pai. Na época, essas “evidências” dos vôos de 1903 foram consideradas insubsistentes pelos órgãos oficiais de aviação e pela imprensa em geral, inclusive a norte-americana, que então divulgava a primazia de Santos Dumont.

Cerca de vinte anos mais tarde, os EUA resolveram elevar os irmãos Wright à condição de primazia e aquelas “provas”, antes sem valor, passaram a ser citadas como documentos históricos comprovadores dos vôos pioneiros. Fruto de grande esforço institucional e de mídia, as antes desacreditadas alegações pouco a pouco viraram “fatos” para o povo norte-americano e para muitos no mundo inteiro.

Todavia, não há registro de algum vizinho dos Wright, ou de qualquer dos transeuntes da estrada próxima, de intenso movimento, ter visto ao menos um dentre as centenas de vôos que eles afirmaram ter realizado de 1903 a 1908. Nem uma única reportagem comprovando aqueles vôos havia sido, até 1908, publicada pela perspicaz, eficiente e já mundialmente atuante imprensa norte-americana. Nem mesmo em Kitty Hawk, North Carolina, e em Dayton, Ohio, onde eles teriam realizado os alegados pioneiros, surpreendentes, fantásticos e longos vôos. Caso houvesse crédito na realização dos aludidos vôos, eles teriam merecido, inevitável e imediatamente, gigantescas manchetes nos jornais dos EUA e do mundo todo.

A distorção da história por motivações nacionalistas, mesmo que conduzida mundial e persistentemente pela mídia, não poderá apagar esses fatos históricos oficialmente registrados que certificam e glorificam os feitos pioneiros de Santos Dumont.

Fonte: Força Aérea Brasileira

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